Tucano e petista reduzem embate direto e Pimenta é principal alvo

Pimentel, Fidélis e Tarcísio se revezaram em críticas ao governo e ao partido do adversário, que atacou a gestão federal

iG Minas Gerais | Ricardo Corrêa |

POLITICA - BELO HORIZONTE - MG. Debate entre os candidatos ao governo de Minas Gerais na TV Band Minas em Belo Horizonte MG.
Douglas Magno / O Tempo
Douglas Magno / O Tempo
POLITICA - BELO HORIZONTE - MG. Debate entre os candidatos ao governo de Minas Gerais na TV Band Minas em Belo Horizonte MG. Douglas Magno / O Tempo
No debate envolvendo os quatro principais candidatos ao governo de Minas, nesta quinta-feira, na "TV Bandeirantes", os postulantes ao Palácio Tiradentes se distinguiram bastante nas estratégias utilizadas. O petista Fernando Pimentel explorou muito os dados estatísticos, desde o primeiro bloco, sempre para realçar sua visão de que o Estado viu seus indicadores se depreciarem nos últimos anos. Enquanto isso, o tucano Pimenta da Veiga repassou ao governo federal a responsabilidade por eventuais problemas enfrentados pelos mineiros e gastou seu tempo para falar mais de propostas para o futuro.  O candidato do PSB, Tarcísio Delgado, tentou se diferenciar colocando-se entre os dois e usando exemplos de sua passagem pela Prefeitura de Juiz de Fora para realçar o que pode fazer pelo Estado. Enquanto isso, Fidélis Alcântara (PSOL) tentou colocar-se distante dos três, apontando o que considera uma independência de sua campanha, ao contrário daquelas dos partidos maiores. Enquanto os postulantes do PSOL e PSB focaram no "fazer diferente", Pimentel usou bastante o "vamos fazer" e o "dá para fazer" e Pimenta da Veiga focou no "continuar fazendo". Como costuma acontecer em uma disputa com um governista e vários oposicionistas, Pimenta da Veiga (PSDB), sendo o candidato da atual gestão, sofreu mais com os questionamentos dos adversários, que se revezavam em críticas. Mas, mesmo nisso, eles se diferenciaram. Enquanto Pimentel focou seus apontamentos no que considera falhas do governo estadual, Fidélis Alcântara atacou o partido de Pimenta (assim como fez com o PT), enquanto apenas Tarcísio Delgado fez uma critica diretamente pessoal ao candidato do PSDB.    O debate Mesmo quando as regras do debate permitiram o confronto entre os candidatos, a partir do segundo bloco, Fernando Pimentel e Pimenta da Veiga evitaram o embate direto. Enquanto o petista preferiu perguntar para Fidélis Alcântara, o tucano escolheu Tarcísio Delgado. Para Fidélis, Pimentel colocou a questão da educação, dando a chance para que os dois criticassem o fato de o Estado não pagar o piso nacional a seus professores, entre outras coisas. Fidélis, por sua vez, questionou o petista sobre sua opinião com relação ao tratamento de dependentes químicos. Foi quando eles discordaram levemente, não sem, ambos, criticarem as políticas adotadas em Minas.  Já Pimenta da Veiga questionou a Tarcísio sobre a necessidade de um novo pacto federativo, fazendo com que o candidato do PSB concordasse com suas críticas à concentração da renda nas mãos do governo federal. Na tréplica, no entanto, o socialista atacou as semelhanças entre as administrações do PT e do PSDB e acusou os dois lados de "jogarem os problemas um para o outro". Antes, quando foi sua vez de perguntar, foi direto em uma questão pessoal envolvendo Pimenta. Primeiro, perguntou se o tucano iria continuar no governo, ou se deixaria o cargo como fez quando era prefeito. Depois, acusou Pimenta de manter seus negócios profissionais longe de Minas. O tucano prometeu permanecer no mandato até o fim, se for eleito, e disse que Tarcísio estava "mal informado" sobre suas atividades profissionais.   O primeiro embate Foi preciso, no terceiro bloco, a intervenção dos jornalistas do grupo Bandeirantes, para garantir o primeiro embate direto entre Pimentel e Pimenta. Quando o candidato do PT foi sorteado para responder sobre as manifestações de junho do ano passado, a representante da imprensa escolheu justamente o tucano para responder. Pimentel usou as jornadas para dizer que o povo clama por participação, aproveitando para criticar a centralização no governo de Minas. Ele ainda afirmou que a maior obra do Estado foi a construção da "Cidade Administrativa", símbolo dessa centralização alegada. Pimenta preferiu explorar a insatisfação dos participantes com o governo federal, dizendo ainda que Pimentel "fugiu da resposta".   Temperatura esquenta Foi justamente quando Pimenta da Veiga escolheu perguntar para Fernando Pimentel, no quarto bloco, que o debate ficou mais quente. O tema escolhido foi o metrô de Belo Horizonte, cuja estagnação é alvo de embates há tempos entre PT e PSDB. O tucano quis saber por qual motivo o governo federal, em 12 anos, não construiu "um metro sequer" de linhas. O petista reagiu: "O metrô de BH depende única e exclusivamente do governo do Estado. Existe uma empresa chamada Metrominas. A Metrominas é uma empresa do Estado. O dinheiro existe, mas ela não consegue fazer o projeto. Entregou agora ,com muito atraso. O projeto nem orçamento tinha e a Caixa Econômica Federal teve que devolver", disparou, colocando também na conta da gestão estadual a demora nas melhorias do Anel Rodoviário da capital. Pimenta rebateu duramente: "Tem um amigo meu que diz que além da falta do metrô, o que ele não tolera é a mentira. Não vou dizer aqui, porque seria uma grosseria. Mas o candidato Fernando PImentel está, no mínimo, mal informado. O acordo entre governo federal e governo estadual foi só em maio do ano passado. É um desrespeito com a população de BH". Na tréplica, Pimentel disse que "transferir responsabilidade não é coisa de gente séria". Neste bloco, Tarcísio Delgado e Fidélis puderam fazer seus discursos contra a privatização em alguns setores, como na área de energia e gás, após pergunta de Tarcísio. E quando Fidélis questionou Pimenta sobre habitação, eles mostraram visões diferentes. O candidato do PSOL avaliou que o Estado coloca a polícia "para bater em pobre" nas invasões, enquanto o tucano defendeu "moradias dignas" no lugar delas.   A culpa é de quem? Quando os jornalistas voltaram ao estúdio para perguntar aos candidatos, mais uma vez Pimenta da Veiga apontou o governo federal como culpado pelos problemas enfrentados pelos mineiros, assim como Pimentel culpou o governo do Estado por eventuais falhas. Na busca por reforçar os problemas que considera terem sido causados pelo gestão petista no país, Pimenta da Veiga chegou a falar em "hora da mudança", quando se referia às manifestações de junho, ainda que ele represente, no Estado, a candidatura de situação. De todos, ele foi o que mais buscou nacionalizar o discurso, contribuindo também, indiretamente, com a candidatura do senador Aécio Neves à Presidência da República. Enquanto isso, os outros dois candidatos variavam seus ataques aos gestores no nível estadual e federal.   Considerações finais Fernando Pimentel guardou para as considerações finais as lembranças sobre a trajetória como preso político, a experiência na Prefeitura, o apadrinhamento por Célio de Castro e Dilma Rousseff, citou projetos na época da administração municipal e alfinetou Pimenta da Veiga ao lembrar que "cumpriu seu mandato na Prefeitura até o último dia". Fidélis Alcântara também se apresentou em sua última fala. Ele lembrou que sua campanha não recebe dinheiro de empresas, que sua militância não recebe pelo trabalho e afirmou que "luta pelos invisíveis". Por fim, pediu que as pessoas conheçam as ocupações urbanas, em referência indireta a um embate com Pimenta da Veiga. Tarcísio Delgado terminou perguntando, retoricamente, se "Pimenta da Veiga tem razão em dizer que todas as desgraças de Minas são do governo federal, e se Pimentel tem razão em dizer que todas as desgraças são culpa do governo estadual". Ele citou Tiradentes e grandes poetas da Inconfidência e apontou o modelo de exploração do minério como alvo de sua principal crítica a ser feita na campanha.  Pimenta da Veiga lembrou que é "militante político de longa data", citou seus mandatos na Câmara Federal, o passado no PMDB e o fato de ter sido ministro do governo Fernando Henrique Cardoso. Ele exaltou o processo de modernização do setor de telefonia celular, feita quando comandava a pasta de Comunicações, e citou educação, saúde e redução das desigualdades como objetivos de seu eventual governo.    

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