Entre Belo Horizonte e Tiradentes

iG Minas Gerais |

acir galvao
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Na semana passada, mais um acidente fatal no Anel Rodoviário, envolvendo caminhão desgovernado, que derrubou a mureta (é de se perguntar sobre a qualidade dela) e passou por cima do furgão de um comerciante. Nesta semana, engarrafamento monstro avançando até o BH Shopping, cujo motivo era um engavetamento na descida do bairro Betânia.   Como diz a música de Chico Buarque: chame o ladrão...chame o ladrão!!! Já não bastasse passar debaixo de qualquer novo viaduto de BH, cruzando os dedos, fazendo figa e rezando para todos os santos, a gente se dá conta de que é melhor evitar de uma vez por todas o Anel. Pena, porque tem muito restaurante bom do outro lado da cidade. Na Zona Sul, quem mora no Belvedere encontra sucos criativos e opção razoável de almoço no Me Gusta, situado na Lagoa Seca, perto dos prédios altos do bairro. As instalações são agradáveis e o atendimento é correto. Mas a cozinha revela problemas, dos lanches à refeição. O pão de queijo light, por exemplo, é uma tragédia, sem graça nem consistência. Uma plasta balofa e insípida. Aliás, tem muita coisa que na versão light se apequena. Imagine, por exemplo, um torresmo light... só pode ser enganação. Não é torresmo, mas aquela velha pele de saquinho de supermercado. E a feijoada light? Puro autoengano para quem acha que comer paio, linguiça calabresa e charque é menos engordativo que roer um pé de porco ou triturar a cartilagem macia de uma orelha do bacorinho. Afinal, a gordura está antes naqueles, disfarçada e entremeada, que nestes. Gelatina não é o mesmo que gordura, embora possam estar juntos. O segredo de uma boa feijoada, que combina tanto com o friozinho de inverno, é fritar bastante os pertences, até amorená-los, de modo a eliminarem bastante óleo. Só aí devem ser refogados e cozidos com o feijão. De volta ao Me Gusta, o creme de batata com alho poró e bacon de lá tem gosto somente de batata. E as torradas com ervas do acompanhamento nem quentes estavam. As massas não costumam vir al dente, ainda que a maioria da clientela local possa estar acostumada ao jeito italiano de preparo.  E a execução do prato sugerido pelo chef é irregular, dependendo do mesmo estar ou não na cozinha. No dia em que esteve, o risoto de camarão à tailandesa veio saboroso. No dia em que, segundo a garçonete, ausentou-se, o fettuccine com frutos do mar nadava no molho branco, em meio a raríssimos camarões e anéis de lula. Para comer de colher ou apelar para o queijo ralado, que, aliás, não combina com pescados. Felizmente, a gerente foi gentil e reduziu por sua conta o preço que me era cobrado, diante das reclamações. Talvez a gerência chegue à conclusão de que o bufê é inconciliável com o serviço à la carte. Do contrário, é preciso cuidar para que o preço mais alto deste se justifique. E por falar em preço alto, lembrei de Tiradentes. Só que lá não tem problema de trânsito para chegar ao Restaurante do Theatro, que é lindo. A casa histórica foi decorada com esmero é e um dos endereços mais elegantes da cidade. O menu-degustação alterna iguarias finas, soberbas, com pratos nem tão gostosos assim, às vezes pecando por estarem frios. A conta, na faixa dos quatrocentos reais para o casal, torna discutível a relação custo-benefício. Ainda assim, pretendo voltar antes de dar um veredicto definitivo. Do vinho para a água, se você quer uma sugestão boa e barata por aquelas bandas, vá comprar artesanato no arraial de Bichinho, ali perto, ligado a Tiradentes por uma estrada inteiramente calçada; depois, almoce na Ângela, onde a clientela numerosa adentra a cozinha e remexe as panelas no fogão à lenha, como se estivesse numa festança de família. Comida mineira simples, saborosa, tempero correto, na faixa de R$ 25 pratas por cabeça.

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