Moradores armam resistência

Clima é de medo em acampamentos; famílias já estocam alimentos para suportar ação da PM

iG Minas Gerais | André Santos e Cinthia Ramalho |

Precaução. Água já está sendo guardada em baldes na casa de Vanda Inácia, moradora da Rosa Leão
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Precaução. Água já está sendo guardada em baldes na casa de Vanda Inácia, moradora da Rosa Leão

Os moradores das ocupações Rosa Leão, Esperança e Vitória, que ocupam um terreno da Granja Werneck, também conhecido como Mata do Isidoro, na região Norte de Belo Horizonte, correm contra o tempo para estocar água, comida e velas. O objetivo é se refugiar dentro das moradias improvisadas erguidas na área e resistir à operação de despejo planejada pela Polícia Militar (PM). Eles já bloquearam as 14 entradas do terreno com pneus e outros materiais. Na tarde desta quinta, a corporação se reuniu mais uma vez com os acampados e reforçou a ação de reintegração de posse, que foi ordenada pela Justiça e deve acontecer em até 15 dias.

De acordo com a Polícia Militar, 2.500 pessoas moram nos três acampamentos. O número das lideranças comunitárias é diferente: a quantidade de famílias a serem despejadas pode chegar a 8.000, totalizando 30 mil moradores. Na tarde desta quinta, o clima era de medo e angústia na ocupação Rosa Leão, que tem ruas de terra batida e a maior parte das casas feitas de madeira. A dona de casa Vanda Inácia, 50, que vive em uma pequena moradia de três cômodos junto com o marido, dois filhos, a nora e uma neta de 2 anos, está, assim como os vizinhos, disposta a resistir a uma futura ordem para deixar o local. “Não me importo em morrer para defender as pessoas que vivem aqui, para defender o que lutei a minha vida inteira para conseguir”. A estratégia dos moradores é se abrigar nas casas, onde vão permanecer assim que os policiais chegarem ao local. Durante a noite desta quinta, eles também cavaram buracos nas 14 entradas do terreno e fizeram barricadas com pneus e madeira. Caso seja necessário, esses obstáculos também poderão ser queimados. “Vim de longe e tive que construir minha casa com as próprias mãos. Não posso perder o emprego, nem minha casa”, disse a servente de pedreiro Silvana Vitória Silva, 30, que está há quatro dias sem trabalhar em função do medo do despejo. Fuga. Enquanto alguns moradores se preparam para lutar, outros começaram a sair de suas casas por conta própria. Na tarde desta quinta, a reportagem flagrou caminhões carregando móveis e pertences de algumas famílias. Enquanto alguns desistem, outros ainda sonham em poder permanecer, como a dona de casa Michele Pereira Martins, 23, que vive com o marido, dois filhos pequenos e um irmão em um barraco de madeira. Ela está grávida de cinco meses. “Não estou aqui em vão. Vou lutar pelo cantinho que Deus me deu”, garantiu a dona de casa.

Orientação Panfleto. A PM distribuiu nesta quinta aos moradores um panfleto com informações sobre a operação. O papel trazia dicas de segurança, com a retirada antecipada de grávidas, idosos e crianças.

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