Diversidade teatral do Brasil

Projeto de circulação nacional de espetáculos promovido pelo Sesc chega a Belo Horizonte com atrações variadas

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Suspenso. “Homens de Solas de Vento” explora objetos pendurados e uma realidade em suspensão
MARIANA CHAMA DIVULGAÇÃO
Suspenso. “Homens de Solas de Vento” explora objetos pendurados e uma realidade em suspensão

A ideia do caleidoscópio dá ao seu observador a possibilidade de ver as particularidades de cada pequeno pedaço, mas também a combinação deles juntos. O projeto Palco Giratório, do Sesc, começa suas atividades gratuitas – que incluem mostra de espetáculos e oficinas – a partir de hoje, em Belo Horizonte, e traz à cidade seu próprio caleidoscópio da produção teatral brasileira em todas as regiões. “Homens de Solas de Vento”, da Companhia Sola de Ventos, de São Paulo, é o espetáculo que abre os trabalhos da mostra.

“A grande questão não é colocar as peças mais espetaculares, as eleitas, as melhores. Mas construir um recorte do que acontece no país inteiro nas artes cênicas. O Palco Giratório consegue ter circo, dança e teatro. Comédias, dramas e até o teatro mais cabeça, mais contemporâneo”, ressalta Dora Sá, analista de arte e cultura do Sesc/MG.

Parte da produção contemporânea extrapola a ideia de palco e plateia e explora outras interações com o público além do clássico “palco italiano”. A mostra deste ano parece preparada para dar espaço a essas manifestações “não-convencionais”. “Vamos usar o espaço de várias maneiras: arena, semiarena, passarela. Alguns espetáculos terão a capacidade reduzida por conta disso”, explica Dora, ao relatar que parte dos espetáculos vai levar a plateia ao palco do grande teatro do Sesc Palladium, diminuindo sua capacidade de 1.300 para cem espectadores.

A programação traz a veterana e celebrada bailarina Angel Viana com o espetáculo “Qualquer Coisa a Gente Muda”; os pernambucanos do Magiluth com “Viúva, Porém Honesta”; de Rio Branco, as Garotas Marotas, com “Solamente Frida”; o premiado “O Controlador de Tráfego Aéreo”, do Alfandêga 88, do Rio de Janeiro; e a dobradinha Toda Deseo com “Yo No Soy Un Maricón” e As Travestidas, de Silvero Pereira, com “Uma Flor de Dama”.

A mostra deste ano acontecerá quase exclusivamente nas instalações do prédio do Sesc Palladium, no centro. “Antes, as ações do Palco Giratório eram mais espaçadas e diluídas ao longo do ano. De três anos para cá, a diretoria investe mais dinheiro e faz essa mostra. Começamos com 16 espetáculos e hoje são 22. Já fizemos ações em outros espaços da cidade e desta vez concentramos aqui”, revela a analista. As exceções serão as intervenções em espaços abertos e o espetáculo “Till”, do grupo Galpão, que se apresenta na praça do Papa.

“Ainda não temos uma fórmula. O importante é pensar em um formato que seja bom para nós (do Sesc) e para o público. Acho que somente o Sesc é capaz de um projeto dessa grandeza. Cada curador está presente em sua realidade local e, nesse sentido, conseguimos filtrar, sem saber se é apenas o melhor grupo, o melhor espetáculo, mas entender a perenidade daquele trabalho e a trajetória daquele coletivo em sua cidade. Nós vemos grupos que eram uma coisa antes e viraram outra diferente depois de participar do Palco Giratório. Às vezes, falta um empurrãozinho para os coletivos estabelecerem suas conexões Brasil afora. Por outro lado, tem grupos que acabam também, porque a experiência é muito intensa. Dormir em uma cidade, acordar em outra”, conta Dora, em referência às viagens que os grupos selecionados fazem pelo país.

Oficinas. Na mostra deste ano serão oferecidas cinco oficinas gratuitas. Uma delas é preparatória para a intervenção urbana “Cegos”, que acontece nas ruas da cidade, na próxima quarta, dia 13. Serão dois encontros, na segunda e na terça. As inscrições estão abertas.

Veja a programação em: www.sescmg.com.br.

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