Mostra será levada ao interior pela primeira vez

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |



Espectadores dividem edredon durante a maratona Alfred Hitchcock
Paulo Lacerda - Fundação Clóv
Espectadores dividem edredon durante a maratona Alfred Hitchcock

A ideia de iniciar a mostra “Stanley Kubrick: de Olhos Bem Abertos” com uma odisseia de 11 filmes e 35 horas veio do sucesso da maratona realizada no ano passado, durante a retrospectiva de Alfred Hitchcock. A experiência, até então inédita, teve um resultado muito além do esperado pela Fundação Clóvis Salgado, com filas não só para as sessões, mas até para os carros no estacionamento.

“Recebemos quase 2.000 pessoas e até as sessões de 5h, 6h da manhã estavam lotadas”, recorda o curador Rafael Ciccarini. Para ele, o mais importante é que em experiências como essa o Cine Humberto Mauro cumpre verdadeiramente seu propósito: tornar-se um espaço de convivência e troca para pessoas que se interessam pela sétima arte.

“Teve gente, no ano passado, com edredon coletivo. Turmas se formam aqui. É muito legal ver o espaço ocupado dessa forma”, reflete. Para repetir esse sucesso com Kubrick, além de programar os filmes mais aclamados para a madrugada, todas as sessões da maratona serão comentadas. “2001: Uma Odisseia no Espaço” terá análise do próprio Ciccarini; “Laranja Mecânica” será comentado pelo crítico Marcelo Miranda; e “O Iluminado”, por Nísio Teixeira, por exemplo.

Assim como no ano passado, as exibições a partir das 20h até o nascer do sol acontecerão também no pátio externo do Palácio das Artes – para agregar um público maior, que não tiver medo do intermitente frio de agosto. “No ano passado, a última sessão externa foi de ‘Um Corpo que Cai’ e, ao fim, já estava muito claro e só dava para ouvir o áudio. Foi uma experiência sensorial única”, conta o curador. E quem resistir na madrugada adentro receberá um voucher de café da manhã depois da sessão de “O Iluminado”.

Interior. Outra grande novidade trazida pela mostra é que, pela primeira vez, essa experiência cinéfila será levada também ao interior do Estado. Por meio de uma parceria com o Sesi, uma edição de uma semana da retrospectiva acontecerá nas cidades de Tiradentes, em setembro, e Mariana, em novembro.

Além de sessões em blu-ray e DVD, a itinerância contará também com o curso ministrado no Cine Humberto Mauro, entre 19 e 21 de agosto, pelo próprio Ciccarini – que realiza sua pesquisa de doutorado sobre o cinema de Kubrick. “Vou passar por todos os filmes dele para mostrar como Kubrick constrói uma forma própria de olhar o homem por meio de sons e imagens”, adianta o curador.

Para ele, essa investigação de autoria passa por entender como o cineasta, que começou realizando todas as funções técnicas em produções de baixíssimo orçamento, entendia e dominava todos os aspectos artísticos de seus filmes. E que, para conseguir esse controle, ele – assim como Hitchcock – usou e manipulou a narrativa em torno de sua própria persona para criar a aura do “grande autor”.

“Kubrick era um excelente enxadrista. E esse mito do ‘artista recluso e misterioso’ não era nada mais que uma estratégia para seduzir o público e, consequentemente, ganhar liberdade dos estúdios. Para sobreviver na indústria hollywoodiana, você precisa de uma estratégia. Orson Welles, grande ídolo de Kubrick, não tinha uma e se ferrou”, compara o curador.

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