Concessionárias já demitem

Mercado tenta se recuperar de um mês de junho ruim e gerentes reclamam de margem menor

iG Minas Gerais | ludmila pizarro |

À espera. Bruno Ramos identifica um aumento de procura depois da Copa, mas confirma o desaquecimento do mercado automotivo
LEO FONTES / O TEMPO
À espera. Bruno Ramos identifica um aumento de procura depois da Copa, mas confirma o desaquecimento do mercado automotivo

A diminuição drástica na venda de carros de 2013 para 2014 está gerando uma crise no setor em Minas Gerais que pode gerar fechamento de lojas e aumentar as demissões, que já começaram. Essa é a avaliação de Mauro Pinto de Moraes Filho, presidente do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos de Minas Gerais (Sincodiv-MG). “Na capital, as grandes concessionárias estão fechando lojas”, informa. E completa: “as demissões já começaram. Não é um movimento massivo, mas já está acontecendo, sim”, diz.

A Copa piorou o quadro, quando as vendas caíram até 30% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a gerência de duas concessionárias da capital. “Foi o pior mês da história dessa loja”, informou um vendedor que preferiu não se identificar. Por essa razão, as vendas do mês de julho subiram até 20% em relação a junho, mas trata-se mais de recuperação do que um crescimento significativo. “A procura está voltando agora, mas o cliente perdeu o senso de urgência, isso acabou” afirma Bruno Ramos. “Agora ele pesquisa muito e atendimento não faz diferença. O cliente vai a Contagem e Betim procurar o melhor preço e, só depois, finaliza a compra”, completa o também vendedor Ronaldo Rodrigues. Ambos trabalham na Recreio Veículos da avenida Barão Homem de Melo, na capital. O crédito também está mais difícil. Segundo Alexandre Soares, gerente da Recreio Veículos, atualmente 25% das solicitações de financiamento estão sendo reprovadas. “Isso impacta muito nas vendas”, reclama. Para Mauro Moraes, o crédito está caro e os bancos muito seletivos, o que deixa os clientes inseguros para comprar. “O banco, quando não dificulta a liberação do crédito, acaba aumentando a entrada, o que espanta o consumidor”, analisa. A mesma análise é feita pelo supervisor de venda da Renault Valence, Alexandre Romão. “O cliente que financiava sem entrada sumiu, ele nem vem à loja. Antes ele aparecia e a cada seis clientes, dois tinham o crédito aprovado”, afirma. Inflação. Segundo o presidente do Sincodiv-MG, outro problema é o aumento dos preços dos fabricantes e as concessionárias não conseguem repassar o valor aos clientes por causa da concorrência. “Está sobrando mercadoria e os preços estão subindo. Não é um crescimento significativo, mas todo mês está vindo. Esse mês uma montadora aumentou 0,7% o preço. No acumulado do ano, pelo menos, 3% de aumento já temos. O consumidor, pelo seu lado, não aceita um aumento de preço. As concessionárias estão ficando achatadas entre os dois” analisa. O gerente da Renault Valence, Haroldo Ramos, concorda que as margens estão caindo. “Sabemos que as montadoras também não repassam tudo, mas estamos ficando sem volume e sem rentabilidade”, diz.

Sem juros Escolha. Para o supervisor Alexandre Romão, os clientes estão fugindo dos juros. “A maioria das vendas tem entrada de 60% e o resto dividido no máximo de vezes, mas sem juros”.

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