Parte mineira do Velho Chico pode ter transporte de carga

Consórcio que foi vencedor de concorrência aberta pelo Dnit já realiza estudo de viabilidade

iG Minas Gerais | Janine Horta |

Balsas em Manga, no Norte de Minas, fazem transporte diariamente
GUSTAVO ANDRADE / O TEMPO
Balsas em Manga, no Norte de Minas, fazem transporte diariamente

Um estudo de viabilidade técnica e econômica para embasar planos de retomada da navegação no rio São Francisco a partir de Pirapora até a foz está sendo realizado. A ordem de serviço para realização do estudo foi dada em abril, e o consórcio vencedor da concorrência, formado por três empresas – Dzeta/Hidrotopo/Ebei – tem até abril do ano que vem para entregar as conclusões ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

A ideia é transformar a hidrovia do São Francisco num eixo onde se fará o transporte de cargas partindo de Minas Gerais e demais Estados por onde o Velho Chico passa. A hidrovia deve ser interceptada ao longo do caminho por rodovias e ferrovias conectadas com os portos marítimos da região Nordeste, num sistema de transporte multimodal e integrado. De acordo com a engenheira civil do consórcio Nathércia Guimarães, o estudo deve apontar locais onde serão necessárias obras de aprofundamento do leito do rio para que ele atinja a profundidade mínima para navegação de grandes comboios de transporte. “Estamos analisando a capacidade da hidrovia: profundidade, que tipo de carga pode ser transportada, entre outros aspectos”, aponta Nathércia. O resultado e a avaliação da relação custo-benefício do projeto serão apresentados ao Dnit, à Administração da Hidrovia do São Francisco (AHSFRA) e à Companhia de Docas do Maranhão (Codomar), que são responsáveis pelo projeto. Sonho antigo. Algumas empresas demonstraram, há mais de dez anos, interesse em transportar suas cargas pelo São Francisco, informa o superintendente da AHSFRA, Luiz Felipe de Carvalho Gomes Ferreira. Soja em grão e farelo e milho de produtores do interior da Bahia; ureia produzida em Camaçari; carvão, combustível e automóveis foram algumas consultas. “A mais recente que recebemos foi a respeito do escoamento da produção de gipsita, explorada na bacia do Araripe, região de divisa entre Piauí, Ceará e Pernambuco”, conta Ferreira. O superintendente diz que o São Francisco hoje é navegável, embora subexplorado. Para ele falta, além das obras de adequação, interesse empresarial. O único trecho comercial em atividade está na Bahia, um trajeto entre Ibotirama/Muquém do São Francisco até Juazeiro – trecho de 576 km. Segundo levantamento de 2013 da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), transporta-se neste trecho um só produto: 49 mil toneladas de caroço de algodão.

Usos múltiplos devem conviver O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), órgão responsável pela gestão das águas, tem acompanhado as discussões a respeito da retomada da navegação no rio São Francisco. O vice-presidente do CBHSF, Wagner Soares Costa, diz que, ao se implantar a hidrovia, é preciso prever que impacto isso pode ter sobre os demais usos que se fazem da água ao longo do rio. “Para o uso múltiplo das águas é preciso equilíbrio entre as atividades que já funcionam e as que vão chegar”, argumenta Costa, exemplificando com os grande projetos de irrigação e com a dinâmica do abre e fecha de comportas para o controle de vazão das barragens hidrelétricas.

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