Insatisfeita, base aliada já ameaça debandar

Segundo os vereadores, se não houver melhorias, eles vão romper com o governo; oarlamentares que ‘apoiam’ Carlaile fizeram papel de oposição e criticaram o Executivo

iG Minas Gerais | Lisley Alvarenga |

Eliseu (PTB) disse que maioria da base está insatisfeita
JOÃO LÊUS/ARQUIVO
Eliseu (PTB) disse que maioria da base está insatisfeita

A relação entre a Câmara Municipal e a Prefeitura de Betim está de mal a pior. Na primeira reunião dos vereadores após o fim do recesso parlamentar, ocorrida na terça-feira (5), os vereadores de partidos que formam a base de sustentação do governo do prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB), insatisfeitos com o atual governo, fizeram duras críticas à administração do tucano e aos integrantes do primeiro escalão do governo.

O primeiro a subir à tribuna para protestar foi o vereador Pãozinho (PV). Ele justificou por que optou por ir a público para chamar a atenção da atual administração. “Não quero ser apontado como ‘traíra’, caso, mais tarde, decida me desvincular do governo. (...) Estou aqui avisando que, se não consertar, vou embora”, afirmou.

Exaltado, o parlamentar disse ainda que, assim como ele, muitos vereadores aliados também gostariam de reivindicar, porém, têm medo. “Podem tirar meus cargos, mas vou falar. Era meu sonho ser vereador com o Carlaile, mas, desse jeito, está virando é um pesadelo. Esse bando de ‘puxa-saco’, que bate nas costas do Carlaile tem que parar de passar a mão na cabeça dele e parar de falar que o governo está bom, porque está é ruim. Temos que trabalhar mais e errar o mínimo possível”, afirmou Pãozinho.

O vereador alertou ainda o prefeito sobre as consequências de ele não buscar melhorias para a cidade. “É muito fácil um secretário falar para o prefeito que o governo está bom. Isso também aconteceu com a Maria do Carmo, e olha onde ela está hoje? Há muitas pessoas irresponsáveis nesse governo. Se não consertar, nas próximas eleições, serão oito anos de governo PT”, reforçou.

Outro vereador aliado que também fez questão de externar sua insatisfação com o governo foi Klebinho Rezende (PTB). Em seu discurso, ele endossou as palavras de Pãozinho e disse ainda que, como aliados e amigos de Carlaile, os vereadores têm o dever de alertar o prefeito sobre a situação do município. “Estamos fazendo isso para melhorar o governo. Não queremos que, depois, eles digam que não avisamos. Comungo com, pelo menos, 95% de tudo o que Pãozinho disse aqui”.

Klebinho também criticou os secretários municipais. “Alguns acham que a pasta é deles e não enxergam que, assim como nós, estão aqui apenas de passagem. A partir de agora, vamos apontar os erros para a cidade evoluir. O prefeito precisa aprender a ouvir e a compartilhar, como todos nós queremos, o bem da cidade”.

O próprio líder de governo na Câmara, Eliseu Xavier (PTB), garantiu que as reivindicações de Pãozinho são “compartilhadas por 99%, senão, por 100% dos vereadores da base”. “Há um índice de insatisfação muito grande. Infelizmente, o governo não está comunicando entre si. O que o secretário de Educação faz, o de Administração não dá conta de entender e fazer. O governo vai para um lado, e a Câmara vai para outro. Se o Carlaile não colocar o ‘trem nos trilhos’, o preço a pagar será muito alto em 2016. Precisamos que o prefeito entenda que o governo está desnorteado”.

A falta de investimentos no município também foi alvo de críticas pelos parlamentares. “Não há transporte público para a população, e temos muitos problemas ainda na saúde e na educação. Falta investimento do Poder Público para que a cidade seja realmente planejada para o futuro”, afirmou o vereador Renato Ti-Rei (PSDC).

Defesa

O presidente da Câmara, Marcão Universal (PSDB), foi o único parlamentar que discursou em defesa de Carlaile. “Precisamos ter sabedoria para analisar a situação financeira do município. Jogar pedra e não mostrar o caminho é um erro do Poder Legislativo”, rebateu.

Em nota, a assessoria da prefeitura disse não concordar com as declarações. “O Executivo está aberto ao diálogo e tem mantido uma parceria com o Legislativo a fim de assegurar benefícios à população.”

Retaliação

Apesar de argumentarem que as críticas à atual gestão seriam em prol de melhorias para a cidade, segundo informações de bastidores, o ato dos vereadores seria em retaliação ao anúncio por parte do governo municipal de que haveria um possível corte de cargos comissionados que são cedidos pela prefeitura aos vereadores.

“Eles estão indignados com a possibilidade de perder seus cargos e resolveram se unir para tentar pressionar o governo”, afirmou a fonte, que pediu anonimato.

Contudo, em conversa com a reportagem, um dos vereadores da base negou a afirmação. Segundo o parlamentar, os vereadores estão insatisfeitos com a falta de diálogo do Poder Executivo com a Câmara. “Os secretários não são sensíveis às demandas da população. A secretária de Educação, por exemplo, apesar de boa, é muito técnica e não tem feeliing político. Já os secretários de Administração e da Saúde não dialogam com os vereadores”, disse.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave