Governo anuncia empréstimo ao setor elétrico de R$ 6,6 bilhões

O custo da operação --as taxas de juros que serão pagas pelas distribuidoras e repassadas ao consumidor em forma de encargo a partir de 2015-- será de 2,35% ao ano

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Salgado. Reajuste da Cemig pesou para o setor industrial e elevou a média da tarifa brasileira
Daniel de Cerqueira/O Tempo
Salgado. Reajuste da Cemig pesou para o setor industrial e elevou a média da tarifa brasileira

 A segunda rodada de empréstimos para socorrer as distribuidoras de energia elétrica será de R$ 6,6 bilhões, informou nesta quinta-feira (7) o secretário executivo do Ministério da Fazenda, Paulo Rogério Caffarelli.

A operação já tem garantida a participação de sete bancos --Banco do Brasil, Caixa Econômica, Bradesco, Itaú, Santander, BTG Pactual e Citibank--, além do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Segundo Caffarelli, outros seis bancos pediram mais prazo para levar a seus comitês a proposta, e ainda podem entrar na operação. O prazo para entrada de novos participantes é dia 15 de agosto, quando o dinheiro estará disponível às distribuidoras.

O custo da operação --as taxas de juros que serão pagas pelas distribuidoras e repassadas ao consumidor em forma de encargo a partir de 2015-- será de 2,35% ao ano, mais o CDI. O primeiro financiamento, que colocou à disposição das distribuidoras R$ 11,2 bilhões, contou com uma taxa de CDI mais 1,9%.

A operação tem carência até outubro de 2015. O pagamento deverá ser feito de novembro de 2015 a novembro de 2017. A Fazenda não estima impacto desse financiamento na inflação.

Proporcionalidade

O BNDES propôs entrar na operação com R$ 3 bilhões, afirmou o secretário, negando que o banco público tenha ido ao socorro do setor por uma recusa dos bancos privados.

Os outros R$ 3,6 bilhões da operação serão distribuídos entre os bancos seguindo a proporcionalidade do empréstimo anterior. Banco do Brasil e Caixa devem entrar, cada um, com R$ 750 milhões. Na primeira rodada, entraram com R$ 2,5 bilhões cada. Bank of America, Credit Suisse e JPMorgan são os bancos que participaram da primeira rodada e não confirmaram presença na segunda.

Garantias

Como na primeira rodada de empréstimo, a garantia do empréstimo são os encargos cobrados pelas distribuidoras. Caffarelli garantiu que não haverá mais nenhum empréstimo ao setor elétrico neste ano e em 2015.

"Não teremos mais operação de crédito com o setor elétrico em 2014 e não há previsão de nenhuma operação de crédito ao setor elétrico em 2015", afirmou.

O secretário não descartou a entrada do Tesouro em eventuais novos rombos no setor, mas destacou que há dinheiro que o Tesouro reservou para o setor elétrico que ainda não foi repassado. No orçamento do ano, está previsto o repasse de R$ 13 bilhões para o setor, para a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) mais especificamente. Até julho, R$ 6,45 bilhões desse dinheiro foi gasto.

Segundo Caffarelli, é possível até que não seja necessário consumir todo o valor do empréstimo. Ele reforçou a posição do Ministério de Minas e Energia de que não há risco de racionamento de energia, e que apresentou esse panorama para os bancos quando se reuniram para tratar do financiamento.

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