PM garante que desocupação não acontece nesta sexta-feira (8)

Ainda conforme o major Gilmar Luciano, as lideranças das ocupações serão avisadas antes da ação de despejo

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Moradores das ocupações protestaram em frente ao 13º Batalhão da PM durante a reunião
BRIGADAS POPULARES/DIVULGAÇÃO
Moradores das ocupações protestaram em frente ao 13º Batalhão da PM durante a reunião

Teve início por volta das 16h30 desta quinta-feira (7) a segunda reunião entre representantes das três ocupações localizadas em um terreno da Granja Werneck, na região Norte de Belo Horizonte, e a Polícia Militar (PM). Na quarta-feira (6) os moradores foram avisados que a polícia realizaria a operação dentro de 15 dias, sem precisar a data. Antes do novo encontro, o chefe da sala de imprensa da corporação, major Gilmar Luciano, garantiu que a megaoperação não acontecerá nesta sexta-feira (8). 

"A operação será realizada de madrugada, mas as lideranças das ocupações serão informadas na véspera para terem a oportunidade de avisar todos os moradores", garantiu o major. Segundo ele, 1.500 homens participarão da ação, sendo homens da 1ª, 3ª e 36ª regiões da PM, além dos batalhões de Eventos e Trânsito. A cavalaria, o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) e o comando aéreo também participarão da ação de despejo. 

"O Corpo de Bombeiros, o Ministério Público (MP), a OAB, o Conselho Tutelar e todos os outros órgãos que quiserem participar no dia também poderão. Além disso, a operação pode durar até uma semana, não pretendemos fazer isso em um dia apenas", revelou o major Gilmar. A PM teria a informação de que nas ocupações vivem 2.500 pessoas, enquanto os representantes dos moradores falam em 8 mil pessoas.

A defensora pública Cleide Aparecida Nepomuceno, que também participa da reunião, conversou com O TEMPO antes de entrar para o 13º Batalhão da PM, onde o segundo encontro acontece. "A PM tem o dever legal de cumprir a liminar, mas espero que eles respeitem a integridade física e a dignidade das pessoa que estão lá. Além disso, a Defensoria Pública também espera que os órgãos públicos tentem mediar esse conflito", defendeu. 

Nepomuceno ainda fez questão que, além de lutar para que essa desocupação aconteça de forma respeitosa, a defensoria também defende os direitos de outra ocupação da região Norte, a Zilah Spósito. "Eles já estão lá há cerca de 3 anos e, por isso, não estão incluídos nessa reintegração de posse", explicou a defensora.

Entenda

Na quarta-feira (6), aconteceu a primeira reunião entre a PM e os moradores para tratar sobre a liminar que autoriza o despejo das ocupações Vitória, Rosa Leão e Esperança. No primeiro encontro, que, segundo os ocupantes, durou apenas 15 minutos, a corporação informou apenas que a ação ocorrerá dentro de 15 dias, não precisando quando seria. 

Segundo as informações de Rafael Bittencourt, membro das Brigadas Populares, durante a breve reunião o Conselho Estadual de Direitos Humanos questionou a PM se eles tinham cadastrado o número de crianças, mulheres, idosos e deficientes presentes nas ocupações. "Eles falaram que não, mas planejam desocupar sem nem saber quantas pessoas tem lá. Sobre para onde as famílias serão levadas, eles apenas falaram que a Prefeitura de Belo Horizonte já apresentou os abrigos. Não falaram da condição, se terá como acolher todo mundo, nada", denunciou Bittencourt. 

Segundo o coronel Ricardo Machado, comandante do policiamento especializado da capital, a polícia pretende realizar a desocupação de forma pacífica, porém, se for preciso, usará de força para garantir o cumprimento da lei. “Quem faz a reintegração de posse são os oficiais de Justiça. O papel da PM, nesse caso, é o de dar apoio aos oficiais para que a lei seja cumprida”, informou o comandante.