Mulher que teria mandado matar auditor tenta por a culpa no amante

Após o policial civil se entregar, ela mudou seu depoimento e assumiu que mantinha um relacionamento extraconjugal com ele e que era ameaçada

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

Vítima era casado com uma policial civil aposentada.
Reprodução Facebook
Vítima era casado com uma policial civil aposentada.

Após o policial civil envolvido no assassinato do auditor fiscal Iorque Leonardo Barbosa Júnior, 42, se entregar à polícia nessa quarta-feira (6), a viúva da vítima decidiu mudar seu depoimento e assumir que mantinha um relacionamento extraconjugal com Ernandes Moreira Santos. Além disso, ela embutiu toda a culpa da morte do marido no policial, inclusive, dizendo que ele ameaçava ela e a família, caso ela desse um fim ao relacionamento.

O depoimento da mulher pode auxiliar as investigações, mas não deixam de incriminá-la, uma vez que, de acordo com o delegado Rodrigo Bossi, que está a cargo do caso, ela entrou novamente em contradição. “Antes ela havia dito que não tinha envolvimento com ele, agora ela voltou atrás. Ela disse que estava sendo ameaçada por ele para não terminar o relacionamento mas, depois da morte do marido, ela apareceu com ele em diversas ocasiões em eventos do círculo social dela. Como alguém que estava sendo ameaçada, perde o marido por conta dessas ´ameaças’ e, mesmo após a morte dele, continua saindo com o homem que a ameaçava e ainda o leva a festas de família?”, argumentou.

Ainda de acordo com o delegado, o último depoimento de Alessandra fornece ainda mais armas para a resolução do caso. “A gente acredita que ela foi orientada pelo advogado a colocar a culpa no Ernandes, em uma tentativa de consertar os depoimentos anteriores, que foram contraditórios e sem lógica”, disse.

Alessandra continua sendo apontada como a mandante do crime, já que não explicou a ligação que partiu da casa dela para o executor no dia do assassinato, e também por ter continuado a se relacionar com o policial, mesmo após a morte do marido.

Ernandes e Alessandra devem pegar de 12 a 30 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado, sendo as qualificações: recurso que impossibilitou a defesa da vítima  e motivo torpe.

As investigações continuam e o policial permanece detido na Casa de Custódio, no bairro Horto. Ele ainda não foi ouvido pelo delegado, que continua ouvindo outras testemunhas do caso e chamará Ernandes para depôr em um momento oportuno, segundo ele. 

Entenda

O investigador da Polícia Civil Ernandes Moreira Santos se apresentou na manhã dessa quarta-feira à polícia. Ele estava foragido desde julho deste ano, quando um mandado de prisão foi expedido.

Após quebra de sigilo telefônico, o delegado apresentou a mulher do auditor e os irmãos Otávio e Flávio de Matos Rodrigues como os responsáveis pelo crime, além de apontar Ernandes como o outro envolvido.

O servidor Iorque Leonardo Barbosa Junior foi assassinado com sete tiros quando estava a caminho do ponto de ônibus para o trabalho no bairro Padre Eustáquio, em fevereiro deste ano.

A motivação do crime foi passional e patrimonial, segundo o delegado Rodrigo Bossi, já que o apartamento da vítima no valor de R$ 405 mil iria para Alessandra e para a filha dos dois com a morte dele. Além disso, a pensão por morte que a mulher receberia é de R$ 15.438 mensais, além das férias acumuladas que o auditor tinha, no valor de R$ 132.7905. 

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