Estado Islâmico ocupa 15 cidades e obriga fuga de curdos e cristãos

O avanço obrigou a fuga de milhares de moradores da maior cidade cristã do Iraque, temendo serem submetidos às exigências dos radicais sunitas feitas em outras áreas capturadas

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Os radicais do Estado Islâmico (EI) ampliaram suas conquistas no norte do Iraque nesta quinta-feira (7), tomando mais cidades e fortalecendo sua posição perto da região curda.

O avanço obrigou a fuga de milhares de moradores da maior cidade cristã do Iraque, temendo serem submetidos às exigências dos radicais sunitas feitas em outras áreas capturadas -como deixar a cidade, se converter ao islã ou enfrentar a morte.

O Estado Islâmico, que é considerado mais extremista que a Al-Qaeda, vê a maioria xiita e as minorias, como os cristãos e os yazidis -uma comunidade étnico-religiosa curda do Iraque-, como infiéis.

O grupo militante disse em um comunicado pelo Twitter que seus combatentes haviam apreendido 15 cidades, a estratégica represa de Mossul sobre o rio Tigre e uma base militar em uma ofensiva que começou no fim de semana.

As autoridades curdas dizem que suas forças ainda controlam a barragem, a maior do Iraque. Os ganhos do Estado islâmico levaram o premiê iraquiano, Nuri al-Maliki, um xiita, a pedir que sua força aérea ajudasse os curdos.

Curdos

Os militantes sunitas derrotaram as forças curdas no fim de semana, o que levou dezenas de milhares de pessoas da antiga comunidade Yazidi a fugir da cidade de Sinjar para as montanhas próximas.

Os yazidis são uma etnia curda ligada ao zoroastrismo, com cerca de 500 mil pessoas no Iraque. Por seu culto, são considerados "adoradores do diabo" pelo Estado Islâmico.

Algumas dessas pessoas cercadas nas montanhas foram resgatadas nas últimas 24 horas, segundo um porta-voz do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários, acrescentando que 200 mil fugiram dos combates.

Muitas das pessoas deslocadas precisam urgentemente de água, comida, abrigo e medicamentos, disse ele. Um porta-voz da agência da ONU para crianças disse que muitas estavam sofrendo de desidratação e que pelo menos 40 morreram.

O EI, que declarou um califado (um Estado que segue as leis islâmicas) nas áreas do Iraque e da Síria que controla, entrou em confronto com forças curdas na quarta-feira (6) na cidade de Makhmur, perto Arbil, a capital da região autônoma curda.

Testemunhas disseram que os militantes haviam tomado Makhmur, mas as autoridades curdas disseram à imprensa local que suas forças permaneceram no controle.

Cristãos

Os radicais assumiram nesta quinta-feira (7) o controle de Qaraqosh, a maior cidade cristã do país, segundo testemunhas e representantes religiosos.

A invasão provocou a fuga de 100.000 cristãos, anunciou o patriarca caldeu Louis Sako.

"Sei que as cidades de Qaraqosh, Tal Kaif, Bartela e Karamlesh viram a saída da população e estão agora sob controle dos milicianos", afirmou Jospeh Thomas, arcebispo caldeu de Kirkuk e Suleimaniya, à AFP.

O papa Francisco fez nesta quinta-feira (7) um apelo urgente à comunidade internacional para proteger a população do norte do Iraque, em grande maioria cristã.

O porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, afirmou que o pontífice "se une aos apelos urgentes dos bispos" da região pela paz e pediu à comunidade internacional que proteja e garanta a ajuda necessárias às pessoas em fuga.

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