Desculpe-me a sra. presidente por mudar o assunto

iG Minas Gerais |

Não era a minha intenção modificar a matéria que tencionava dissertar, talvez até mais grave do que a escolhida. Não está acontecendo comigo o que esperava: o crescimento da candidatura de Aécio Neves, em todos os sentidos muito além da outra ainda na frente, e a queda firme e visível da concorrente à reeleição. Continuo incomodado por certo sentimento pessimista, quando nada, se se quiser, por impaciente ceticismo. Deve estar me faltando confiança no discernimento da maioria do colégio popular eleitoral – pudera! –, o que me provoca perturbadora sensação de tédio com o país. A realidade está ao alcance de todos: o governo incumbente e o seu anterior foram e são péssimos para a nação. Tudo clama por mudança, que, a meu ver, deveria fazer-se com muito mais naturalidade. Assim posto, deixei de lado, por ora, o comentar a reportagem de “Veja” última, que versa sobre mais um escândalo do Senado Federal (Casa Legislativa revisora, que, no passado e de modo geral, só acolhia homens públicos de escol, hoje infestada pelo malcuidado de políticos inescrupulosos), e passo a falar do texto do jornal “Valor”, de autoria de um ex-presidente do Banco Central. Gustavo Loyola, com quem convivi com real prazer quando ocupei a presidência do antigo Bemge, é um economista de raras qualidades. Tenho sempre prazer e respeito pelo que escreve. Seu último trabalho, “Não atirem nos mensageiros”, tem todas as características das coisas irretocáveis. Irônico às vezes, preciso o tempo todo, analisa com graça o mau humor da sra. presidente – o que me espanta porque, de uma burocrata bem-talhada para uma vereança em Porto Alegre, pulou, quase por milagre, mercê dos favores descuidados de outro político pouco preparado, para o mais alto cargo da República, como se as suas responsabilidades fossem as mesmas dos bolivarianos, espécies de modelos inacabados do nada que os nossos dois cultivam acho que até com inexplicável devoção. Se os deuses a empurraram para uma eleição de tal relevância, a governança de que foi capaz mostrou-se raquítica política e administrativamente. Foi essa personalidade que se investiu em cima de um presidente de instituição financeira de grande porte e lhe trovejou as mais tenebrosas ameaças, num desses acessos de descontrole que pasmam a opinião pública bem-pensante. O motivo foi simplesmente irrelevante e banal: uma mensagem enviada pelo corpo técnico do Santander ao pessoal de gerência, de orientação corretíssima sobre a política macroeconômica do governo. Se esta realmente existir, só serve para ser criticada, como os fatos correntes demonstram amplamente. E, como ocorre num país como nosso, o tal presidente da instituição, diante da descabida admoestação, ainda veio a público se explicar e, é de estarrecer, pedir desculpas por uma nota incensurável, pelo menos numa nação cuja maioria nada tem a ver com a soi-disant doutrina do “bolivarismo”.  A minha geração é do passado. Não conta. Mas, as de meus filhos e netos..., valha-nos, meu Deus.

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