Espetáculo celebra reencontros entre artistas e gerações

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Repertório do musical comprova a versatilidade da intérprete
Marcos Hermes
Repertório do musical comprova a versatilidade da intérprete

A cantora Cássia Eller – com sua potência vocal, sua personalidade forte e sua relação aberta com Maria Eugênia, parceira com quem criou o único filho, Chicão – é o personagem mais conhecido da intérprete. Mas, para além dessa faceta, há muito mais dessa mulher que as pessoas precisam conhecer. O espetáculo “Cássia Eller - O Musical” vai buscar justamente as origens da cantora, quando ela ainda era “uma garotinha esperando o ônibus da escola sozinha”, aos 18 anos, com várias questões sobre sua sexualidade.

Assinado por Patrícia Andrade, o texto foi buscar esse período desconhecido da cantora. “Tem uma coisa muito boa para nós nessa percepção do público. O espectador já iria com uma expectativa muito alta e ele teria que lidar com uma parte da vida dela que não conhecia: a descoberta da sexualidade. Depois, a ideia era ele começar a entrar na história com propriedade, de acordo com sua história afetiva com a Cássia”, destaca Viniciús Arneiro, um dos diretores da montagem e integrante da Cia. Teatro Independente, celebrado grupo da cena contemporânea do Rio de Janeiro.

A direção reedita uma parceria entre dois artistas que assinam o terceiro trabalho juntos: João Fonseca e Viniciús Arneiro. “Foi um parceiro incrível. Eu já tenho um histórico de direção compartilhada, com o Antônio Abujamra. Nós temos um feeling muito parecido, gostamos das mesmas coisas. Ele é um jovem muito talentoso, me surpreendo com a qualidade dele”, exalta Fonseca.

Juntos, eles dirigiram “Alvodoamor”, formatura dos alunos do curso profissionalizante da CAL (Curso de Artes de Laranjeiras), e “Não Sobre Rouxinóis”, texto de Tennessee Williams. “É o primeiro musical que eu dirijo. É um desafio interessante porque você precisa entender o papel da música, do teatro. Na verdade, é uma nova forma de pensar a cena, porque a dramaturgia precisa dar conta de muitas questões e dados. Tem a música ao vivo, atores cantando. Era uma adrenalina nova vinda dos ensaios, eu saía de todos muito empolgado, cantando”, relata Arneiro.

Repertório. Outra parte destacada da produção é a participação de antigos companheiros de Cássia Eller na direção musical: a percussionista Lan Lan e Fernando Nunes, baixista, parceiro de longa data e amigo de Cássia.

Além disso, a banda, que toca ao vivo nas apresentações, conta com filhos de músicos que estiveram com Cássia em vários momentos da carreira dela. Pedro Coelho é filho de Marcio Miranda, tecladista e produtor musical que gravou com ela. Diogo Viola é filho de Toni Costa, guitarrista que também gravou com Cássia. Já Mauricio Braga estava assumindo a bateria da banda quando ela faleceu.

O amigo Nando Reis, um dos personagens do espetáculo, comparece com várias composições no repertório, como “All Star”, “O Segundo Sol”, “Relicário”, “Luz dos Olhos” e “E.C.T”, entre outras. Além dessas, o repertório do espetáculo mostra a versatilidade de Cássia, que não gostava de compor (qualquer semelhança com Elis Regina – mais uma! – era mera coincidência), mas transitava entre vários estilos: “Come Together”, “Nós” “Non, Je Ne Regrette Rien” e “Soy Gitano”.

“É um espetáculo que traz à tona, um lado solar da Cássia. Era uma das principais características dela: brincalhona, moleca, disponível e carinhosa. Foi uma coisa muito forte. A gente quer que o público saia com essa sensação, dizendo que tem saudade dela”, finaliza Arneiro.

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