Fera, bicho, anjo, mulher

“Cássia Eller – O Musical”, que estreia hoje, mostra facetas pouco conhecidas da cantora, morta em 2001

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Sorte. Atriz Tacy de Campos não se inscreveu para seleção da peça, mas foi descoberta pelo Facebook
Marcos Hermes/Divulgação
Sorte. Atriz Tacy de Campos não se inscreveu para seleção da peça, mas foi descoberta pelo Facebook
Aquele 29 de dezembro de 2001, quando as pessoas faziam seus planos para a virada de ano, permanece vivo na memória de vários fãs e simpatizantes de uma das intérpretes que mais se aproximou da lendária Elis Regina. De maneira violenta e inesperada, com um infarto do miocárdio, Cássia Eller partia para a eternidade no melhor momento de sua carreira, deixando os votos de boa passagem para o réveillon de 2002 um pouco mais tristes. Após 13 anos, a potência vocal de Cássia e sua história cheia de reviravoltas ganham espaço em um espetáculo que conta sua vida. “Cássia Eller – O Musical” chega a Belo Horizonte e faz temporada de quatro semanas no CCBB, a partir de sexta-feira. “Eu tive o privilégio de conhecer a Cássia. Eu fazia uma peça (‘O Casamento’, de 1997) que ela foi assistir porque tinha uma amiga no elenco e, depois, voltou mais sete vezes. Fiquei com um carinho muito grande por ela. Fomos tomar um chope depois da peça e fui ver vários shows dela. Essa convivência influencia o meu olhar, até mesmo a estética. A peça (‘O Casamento’) era muito simples, eram só cadeiras no cenário e um telão no fundo. Eu quis trazer essa simplicidade para o musical”, revela o diretor João Fonseca, que divide a função com Viniciús Arneiro. “Cassia Eller – O Musical”, assim, não recorre a cenários espetaculares e coreografias tão elaboradas. “Alguém consegue imaginar um musical sobre Cássia com aquelas inúmeras coreografias? Isso não pertence ao universo dela. Partimos de escolhas um pouco mais orgânicas em termos de movimentação. Temos sim alguns pequenos números, mas não são nada espetaculosos. Nossa tentativa é criar um ambiente que esteja conectado com a essência da Cássia”, enfatiza Arneiro. Iniciante. O ponto mais surpreendente da ficha técnica do espetáculo é o nome de Tacy de Campos no papel principal, interpretando Cássia Eller. A curitibana, em tese, nem era atriz. “Apenas uma cantora. Na verdade, eu fui procurada pelo Facebook. Recebi uma mensagem pedindo para eu mandar o meu material. Mandei meio sem pensar e sem esperar nada”, revela, econômica e tímida (a timidez é tanta que a produção do espetáculo recomenda entrevistas apenas por e-mail com ela). “Foi sorte conhecer essa atriz. Essa sorte é acompanhado pelo talento da Cibelle Santa Cruz, produtora de elenco. A Tacy não tinha mandado material, foi a Cibelle que pediu. Ela disse que não viria para o Rio de Janeiro porque não tinha dinheiro. A Cibelle insistiu e pronto. Deu certo. É sorte, mas é mérito também dela. A Lan Lan (diretora musical do espetáculo e parceira por muitos anos de Cássia) ficou impressionada com a semelhança”, destaca Fonseca. Escolher uma atriz desconhecida, sem experiência, foi uma opção bastante clara para a dupla de diretores do musical. “Foi uma escolha que realmente determinava muitos aspectos, inclusive, como a peça seria. Se a gente chamasse uma atriz renomada, seria muito diferente. A experiência de trabalhar com ela foi muito surpreendente. Como nós somos de teatro e temos uma trajetória, algumas coisas são meio óbvias, mas, para ela, não eram. Tacy é muito sensível, intuitiva, inteligente. Tirar dela algo mais que a timidez foi um trabalho praticamente artesanal. A gente não entregou essa dificuldade para ela resolver sozinha, foi algo coletivo”, destaca Arneiro. Viver um ícone da música brasileira, que ainda vive na memória de muita gente, pode parecer uma grande responsabilidade. “Na verdade, o que mais me pesa é passar por uma pessoa que eu não sou. É difícil até hoje pra mim”, revela Campos. Ainda que tenha morrido há pouco mais de uma década, Cássia não foi uma grande influência na formação da atriz. “Eu gostava pra caramba de outras coisas, como Legião Urbana, Raul Seixas e uma galera mais MPB, as cantoras de música soul e um monte de coisas mais. Comecei a interpretar Cássia Eller mais ou menos há uns dois anos, quando formei com uns amigos a banda Os Marginais, em homenagem ao disco ‘O Marginal’”, finaliza Tacy. Agenda

O quê. “Cássia Eller – O Musical”

Quando. De 8 de agosto a 1º de setembro. Sextas e segundas-feiras, às 20h, sábados e domingos, às 19h Onde. CCBB (praça da Liberdade, 450, Funcionários) Quanto. R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada)

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