De cada cem suspeitos de abuso, apenas um é preso

iG Minas Gerais |

A grande impunidade que existe quando o assunto é pedofilia é uma das principais barreiras de combate ao crime. De acordo com a professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Cassandra Pereira França, que é também coordenadora do Projeto de Pesquisa e Extensão com Crianças e Adolescentes Vítimas de Abuso Sexual (Cavas/UFMG), de cada cem casos denunciados, apenas um resulta em prisão do abusador.

“São crimes muito difíceis de comprovar, porque é difícil a criança repetir a história exatamente como foi, e é difícil saber se o que estão falando é verdadeiro ou se estão misturando com um pouco de fantasia”, explica a psicóloga.

Outro problema, para o empresário Marcelo Ribeiro, vítima de abusos na adolescência, diz respeito à legislação brasileira. “A impunidade existe justamente porque a lei ainda protege bastante o abusador. Poucas pessoas conseguem falar sobre isso, e, quando conseguem, o crime já está prescrito”, afirma.

Apoio. No projeto Cavas/UFMG, que começou em 2005, cerca de 20 profissionais, entre psicólogos e estudantes, trabalham com pesquisa e atendimento a vítimas de violência sexual. Segundo a coordenadora, também lá o silêncio das vítimas impera.

“Grande parte das crianças evita falar sobre o assunto. O abuso é um trauma muito difícil de superar, e vai se arrastando ao longo da vida”. (LM)

Demanda

Origem. No projeto Cavas/UFMG, são atendidos por mês, em média, 40 menores vítimas de violência sexual. Na maioria das vezes, eles são encaminhadas por conselheiros tutelares e promotores.

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