Álcool na gasolina passa para 27,5%

Percentual depende de trâmite no Congresso e de estudos técnicos da Petrobras, UFRJ e Anfavea

iG Minas Gerais | Ludmila Pizarro |

Cana. Produtores de álcool comemoram, mas temem por oferta no fim do ano com a entressafra
© Rickey Rogers / Reuters
Cana. Produtores de álcool comemoram, mas temem por oferta no fim do ano com a entressafra

Com o aval do Planalto, a Câmara dos Deputados aprovou ontem a Medida Provisória 647, que permite ao governo elevar para até 27,5% o limite de etanol anidro na gasolina. Além do mais, a proposta amplia, a partir de novembro, a proporção de biodiesel ao óleo diesel para 7%. Atendendo ao pleito dos produtores de etanol, o novo teto para a mistura de etanol na gasolina entrou na Medida Provisória 647 por uma emenda.

Há consenso do Congresso para a viabilização do projeto. A proporção atual da mistura de álcool na gasolina é de até 25%, valor que poderá ser elevado por portaria interministerial, caso a proposta também seja aprovada pelo Senado.

A MP 647 foi editada no final de junho e tratava apenas da fração de biodiesel que precisa ser acrescentado ao óleo diesel. Pelo texto votado ontem pelo Plenário da Câmara, o limite para essa mistura passa a ser de 7% a partir de novembro deste ano. Esse valor poderá ser reduzido em um ponto porcentual pelo Conselho Nacional de Política Energética, desde que haja “motivo justificado de interesse público”. Antes da publicação da MP, a legislação colocava apenas um piso para a mistura, de 5%.

O presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no Estado de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, informa que o governo federal está fazendo um estudo técnico para definir a viabilidade desse aumento, envolvendo a Petrobrás, a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). O intuito é avaliar se essa alteração é viável para todos. Esse estudo se encerra no final de setembro. Se a resposta for positiva, será possível modificar o marco legal que regula a questão. Hoje, a lei permite que o governo federal defina a porcentagem de álcool na gasolina entre 18% e 25%. “Caso esse aumento seja aprovado e efetivamente praticado, vai atender um pleito, e com certeza vai beneficiar o setor pois teremos uma aumento de 1,1 bilhão de litros de álcool no mercado. Portanto, sem dúvida, vai beneficiar o setor do etanol. Além de beneficiar também a Petrobrás que poderá diminuir a importação de petróleo.

Segundo ele, o setor sucroalcooleiro tem expectativa positiva que o estudo técnico vai indicar a viabilidade desse aumento. “Se o estudo mostrar que o aumento é viável e se a tramitação caminhar nos próximos dois meses, teremos tudo solucionado no final de 2014, mas estaremos no final da safra, pode ser que não seja possível a implantação efetiva em 2014, mas para 2015, o setor se prepara, fica mais factível”, completa. (Com agências)  

Análise

Ricardo Dilser 

Assessor técnico da Fiat   “Quando a gente vai ao posto e coloca R$ 10 de qualquer combustível no tanque, estamos comprando uma quantidade de energia. Essa energia na gasolina é maior do que no álcool. Então, quando a gente aumenta o teor de álcool na gasolina, estamos, tecnicamente, diminuindo a quantidade de energia que compramos com o mesmo valor.  Com relação ao desempenho do carro, hoje o motor com injeção eletrônica já faz as correções necessárias para que o motorista não sinta a diferença, portanto, não haverá alterações na performance dos carros. Já os carros mais antigos, a gasolina, com carburador, que pararam de ser produzidos há cerca de 10 anos, poderão sentir a diferença no desempenho do veículo também, além da alteração no consumo”.

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