Planalto admite que houve preparo para CPI da Petrobras

Órgão reconheceu que colaborou na elaboração das perguntas que seriam feitas a dirigentes da estatal

iG Minas Gerais |

Alfinetada. Presidente ficou irritada ontem ao ser questionada sobre preparação para sabatina na CPI
ED FERREIRA
Alfinetada. Presidente ficou irritada ontem ao ser questionada sobre preparação para sabatina na CPI

Brasília. O Palácio do Planalto reconheceu, em nota, que colaborou na preparação de roteiro para dirigentes da CPI da Petrobras no Senado. “Por se tratar de uma ação investigativa do parlamento envolvendo uma empresa estatal, evidentemente a articulação política do governo não deve se omitir de participar dos debates com parlamentares, inclusive para a formação do roteiro e da estratégia dos trabalhos”, disse o secretário executivo da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Luiz Azevedo, no texto.

“Enquanto funcionário da Secretaria de Relações Institucionais, possuo duas atribuições fundamentais no tocante à CPI da Petrobras – relação com a estatal, para que a mesma atenda de forma organizada as demandas da comissão com transparência e eficiência e com os parlamentares da base e da liderança do governo”, declarou o secretário.

A informação em forma de nota contraria a declaração dada horas antes pela presidente Dilma Rousseff ao ser questionada sobre a combinação dos depoimentos nas CPIs da Petrobras. A presidente negou envolvimento do Planalto e disse que o Executivo não é “expert” em petróleo e gás e, sim, a Petrobras. “Me informe quem elabora as perguntas sobre petróleo e gás para a oposição também”, alfinetou a presidente ao responder uma jornalista. “Acho estarrecedor que seja necessário alguém de fora da Petrobras formular perguntas para ela”, completou.

No texto divulgado à imprensa, ontem à tarde, o secretário executivo acrescentou que em nenhum momento “a atuação feriu as atribuições e soberania do Parlamento, que preserva suas prerrogativas com denodo e independência”.

uso político. Luiz Azevedo admitiu ainda, conforme o texto, que a ação teve entre seus objetivos “evitar o uso político da CPI”. “Atuo em ambas as frentes para que todos os esclarecimentos, dados e fatos sejam prestados pela empresa, visando assegurar a qualidade das informações, evitando, dessa forma, o uso político eleitoral da CPI”, afirmou ele, justificando a atuação da secretaria.

Luiz Azevedo fez questão ainda de criticar a postura da oposição de evitar a realização dos trabalhos da CPI. “Trabalhos esses que foram, desde o início, boicotados pela oposição, que agora se utiliza de oportunismo para explorar politicamente o factoide criado”.

Bens bloqueados

Presidente. A decisão sobre a inclusão da presidente da Petrobras, Graça Foster, entre os responsáveis pelos prejuízos pela compra da refinaria de Pasadena foi adiada. O relator do processo no TCU, ministro José Jorge, pediu o adiamento para responder a questionamentos feitos pelo advogado Geral da União, Luís Inácio Adams, que esteve pessoalmente no TCU para defender que a decisão do órgão de bloquear os bens dos diretores seja revogada.

Mandado. José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras enviou ao Supremo um mandado de segurança pedindo que seja derrubada a decisão do TCU que determinou o bloqueio de seus bens para ressarcimento dos prejuízos causados com a compra de Pasadena.

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