Tradição jazzística enxuta no Savassi Festival

12ª edição do evento tem corte de shows ao ar livre, mas continua apostando em novos talentos e músicos internacionais

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Trompetista. Chris Washburne é uma das principais atrações, entre outros estrangeiros
Lena Adasheva/Divulgação
Trompetista. Chris Washburne é uma das principais atrações, entre outros estrangeiros

Para um festival que começou com tendas amarradas em árvores e cadeiras improvisadas do Café com Letras dispostas em um quarteirão da região Centro-Sul, o Savassi Festival tomou proporções enormes em uma década de existência, desde 2003. Apesar disso, a 12ª edição do maior festival de jazz da América Latina será mais enxuta, com menos dias de programação e corte abrupto de shows ao ar livre, ainda que mantenha a aposta em revelar novos talentos e trazer atrações internacionais.

Em homenagem ao clarinetista Nivaldo Ornelas, considerado referência do jazz belo-horizontino, o Savassi Festival vai reunir cerca de 20 atrações – desde grupos da capital mineira e de São Paulo, até artistas da Espanha, EUA e Dinamarca.

Diferentemente do ano passado, quando o festival reuniu mais de 15 mil pessoas em 12 dias de programação por dez locais diferentes da cidade, neste ano o evento condensou as atrações em nove dias, entre 16 e 24 de agosto, mantendo os dez espaços dedicados ao jazz.

Sem a praça da Liberdade e o Museu Inimá de Paula no roteiro, o Cine Theatro Brasil Vallourec, o Teatro Bradesco e o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) são novas opções de palcos para os shows. A grande perda será de apresentações ao ar livre. Em vez das quatro vias públicas fechadas no ano passado para os shows, neste ano só um quarteirão receberá jazz ao vivo, entre as ruas Antônio de Albuquerque, Sergipe e Alagoas. Segundo Bruno Golgher, idealizador do festival, os cortes aconteceram por dificuldades de patrocínio.

“Este ano está sendo desafiador. O orçamento diminuiu pela metade e, depois, pela metade da metade. Boa parte pelo redirecionamento dos patrocínios culturais aos eventos ligados à Copa”, diz o coordenador do Savassi Festival, que conta com patrocínio principal da Unimed, além de leis federais e municipais de apoio.

Mesmo com as dificuldades, o Savassi Festival traz novidades, como o lançamento de pelo menos cinco discos. Entre eles está “East” (2014), o segundo álbum do percussionista mineiro Túlio Araújo, que participa do Savassi Festival desde 2010 e agora alça voos mais altos. “Depois do lançamento em BH, vou lançar o disco também em São Paulo e Nova York. Se o festival não existisse, eu não teria a oportunidade de levar minha música tão longe”, diz o músico.

O festival também segue apostando na mistura de novos talentos e artistas internacionais renomados. Nessa proposta, a banda Sem Receita, vencedora do etapa local do Novos Talentos do Jazz, se apresenta no Palco Unimed, na Savassi, ao lado do trio dinamarquês Phronesis, do quarteto espanhol Eladio Reinón e da lenda norte-americana Chris Washburne, que vai participar da gravação de um disco com composições inéditas, em parceria com a Big Band do Palácio das Artes.

Pela segunda vez, o Savassi Festival vai levar a Nova York, entre 7 e 13 de setembro, dez atrações que se espalharão por sete espaços da cidade norte-americana. Entre os convidados estão Cliff Korman, arranjador e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e a pianista paulistana Abelita Matheus, vencedora da etapa global do Novos Talentos do Jazz.

A programação completa do Savassi Festival 2014 pode ser consultada clicando aqui.

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