Produção de carros recua 20,5% em julho e acumula queda de 17,4%

A indústria se recuperou em relação ao mês de junho, produzindo 17% de veículos a mais do que em relação ao mês, mas não o suficiente para reverter o quadro do ano

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

 A produção de veículos no Brasil caiu 20,5% em julho, em relação ao mesmo período de 2013. No mês passado, foram produzidos 252,6 mil autoveículos no país, segundo a Anfavea (associação das montadoras).

A indústria se recuperou em relação ao mês de junho, produzindo 17% de veículos a mais do que em relação ao mês, mas não o suficiente para reverter o quadro do ano.

No acumulado de janeiro a julho, a produção soma 1,82 milhão de veículos, queda de 17,4% sobre um ano antes.

As exportações também caíram cerca 36,7%, em relação a julho do ano passado. No acumulado entre janeiro e julho, a queda nas vendas para o exterior é de 35,4% em relação aos primeiros seis meses de 2013.

As vendas para fora foram agravadas pela piora do cenário econômico na Argentina, que importa grande parte dos veículos exportados pelo Brasil.

Aquecimento

O final da Copa é apontado como um dos motivos para o aquecimento do mercado no mês passado, na comparação com junho. Nos primeiros quinze dias do mês, foram vendidos em média 11.500 veículos por dia. Na segunda quinzena, foram vendidos em média 13.700 veículos diariamente no país.

As vendas também melhoraram no mês de julho. O setor vendeu 11,8% a mais do que em junho, totalizando 294.768 emplacamentos. Mas, em comparação a julho do ano passado, o número é 13,9% menor.

O estoque de veículos diminuiu em relação ao mês de junho, passando para 39 dias. Mas o presidente da Anfavea, Luiz Moan, considera que o número ainda é "inadequado para o setor". A previsão do setor para 2014 é que a produção caia 10% em relação a 2013. Para as exportações, a previsão é de queda de 29,1%.

"Em função do maior número de dias úteis nesse segundo semestre e por acharmos que o mercado ficará mais comprador, acreditamos que teremos crescimento em todas as linhas em relação ao segundo semestre", afirma Moan.

Lay-off

Com o resultado ainda ruim no ano, algumas das principais montadoras de automóveis do país preparam novas rodadas de afastamento de funcionários.

A Fiat vai conceder férias coletivas entre 11 e 20 de agosto, quando produzirá cerca de 10 mil veículos a menos. A Ford vai adotar a mesma medida, principalmente na fábrica de Taubaté, no interior paulista.

A General Motors já avisou aos sindicatos que haverá suspensão temporária de contrato de trabalho (lay-off) na unidade de São José dos Campos (SP).

Um dos principais sindicatos do setor, o Sindipeças, já distribui panfletos nas fábricas, para lembrar aos trabalhadores os direitos em casos de afastamento temporário.

Mais setores

O resultado ruim do setor em 2014 tem contribuído para derrubar a produção industrial brasileira, que em junho encolheu pelo quarto mês seguido, segundo o IBGE.

Como a cadeia de veículos é grande, ela acaba afetando o resultado de outros setores, com grande impacto sobre a produção nacional.

Em junho, a produção industrial brasileira caiu 6,9% em comparação com junho do ano passado, no pior resultado desde setembro de 2009, quando fechou em -7,4%. Em relação a maio, o setor encolheu 1,4%, o pior resultado desde março.

Dos 2,6% de queda acumulada na indústria em 2014, 1,9 ponto percentual, ou quase 75% desse mau resultado, vem da produção de veículos, que sofre pesadamente o encolhimento do país vizinho.

A exportação de veículos brasileiros para a Argentina caiu 36% entre janeiro e julho, de acordo com o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Muito sensível aos juros e ao crédito, o setor de bens duráveis (que inclui automóveis e eletrodomésticos) recuou 24,5% em relação a maio e 34,3 % sobre junho de 2013. Com o impasse da dívida argentina, a tendência é que a indústria continue sofrendo.

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