Poluição na Baía de Guanabara atrapalha atletas da vela

No primeiro dia da Regata Internacional, evento-teste para os Jogos Olímpicos de 2016, competidoras enfrentaram lixo e mau cheiro na Marina da Glória

iG Minas Gerais | GABRIELA PEDROSO |

Ecobarreiras e ecobarcos serão utilizados para conter lixo e evitar que atletas sejam contaminados pela poluição das águas
Marcelo Horn/Divulgação Governo RJ
Ecobarreiras e ecobarcos serão utilizados para conter lixo e evitar que atletas sejam contaminados pela poluição das águas

“Às vezes, cheira mal”. “Saco de plástico é o que a gente mais vê”. Mesmo evitando críticas, a nítida timidez das atletas da vela brasileira Isabel Swan e Renata Decnop ao comentar sobre a poluição na Baía de Guanabara é a prova de que a situação no local é de longe a ideal para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos em 2016, no Rio de Janeiro. Membros do Comitê Organizador Rio 2016, do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) até tentam colocar “panos quentes” e amenizar a situação, mas a poluição das águas na Marina da Glória é um assunto que merece muito mais do que discursos prontos.

Nos primeiros dois dias de evento do Comitê Rio 2016 para falar sobre a organização dos Jogos, uma das frases mais repetidas foi de que 80% do tratamento das águas da baía estará concluído para a Olimpíada. Atualmente, de acordo com o diretor de esportes do comitê, Rodrigo Garcia, 41% dessa meta já foi cumprida. O ideal saneamento total do local, no entanto, em nenhum momento parece nos planos. Como dito pelo próprio diretor de esportes, os resíduos podem até ajudar. “Os atletas podem tirar proveito do lixo”, disse, ao comentar que os descartes na água podem servir de referência do curso da água aos atletas durante a prova.

No primeiro dia da Regata Internacional de Velas, evento-teste de abertura da série de 45 que terão antes dos Jogos, tocos e pedaços de madeira atrapalharam o andamento da disputa. Foi preciso intervenções pontuais para liberar trechos e dar continuidade às provas.

A velejadora Renata Decnop comentou sobre a presença do lixo nas águas da baía. A atleta, no entanto, preferiu não polemizar sobre o tema. “Essa semana a gente teve uma esperança com as águas. Tem menos lixo, mas até lá, temos a expectativa de melhorar”, disse, lembrando que a chuva que caiu no Rio de Janeiro, nesta terça-feira, e o vento mais forte podem ter ajudado a espalhar os resíduos.

Apesar de já estar ocorrendo o evento-teste na Marina da Glória, o local ainda sofrerá várias alterações em termos estruturais para se adequar aos Jogos Olímpicos, uma obra a mais para ficar atento. “Essas alterações, no entanto, não farão diferença na disputa do segundo evento-teste e dos Jogos. Vai só melhorar”, disse Rodrigo Garcia.

Bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim (2008), a velejadora Isabel Swan espera que toda essa movimentação em prol da despoluição na baía sirva também para que haja uma mudança de postura da população brasileira com relação ao local.