Produção da indústria tem perda generalizada em junho

As perdas mais acentuadas ficaram com Amazonas (-9,3%), Paraná (-7,5%), Pernambuco (-7,4%) e Ceará (-5,4%), informou o IBGE nesta quarta-feira (6)

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Indústria precisa cortar custos para ganhar competitividade
BRUNO GONZAGA/STUDIO CERRI/Divulgação
Indústria precisa cortar custos para ganhar competitividade

Num cenário de produção fraca e empresários cada vez menos otimistas, as fábricas de 11 dos 14 locais pesquisados pelo IBGE produziram menos de maio para junho, mostrando uma perda de ritmo generalizada do setor.

As perdas mais acentuadas ficaram com Amazonas (-9,3%), Paraná (-7,5%), Pernambuco (-7,4%) e Ceará (-5,4%), informou o órgão nesta quarta-feira (6).

Amazonas registrou perda acumulada de 19,2% em quatro meses seguidos de queda na produção em razão da menor fabricação de motos, equipamentos eletrônicos e celulares.

A Kasinski, por exemplo, fechou uma unidade em Manaus (AM) e demitiu 500 trabalhadores devido à queda nas vendas de motocicletas. A alternativa, diz o presidente da montadora, Cláudio Rosa Júnior, foi erguer uma nova fábrica, que deve ficar pronta até o final deste ano, com menos de metade da capacidade da original, que podia fabricar 110 mil unidades por ano.

As quedas de Região Nordeste (-4,4%), Santa Catarina (-4,0%), Rio Grande do Sul (-2,3%), Pará (-2,0%) e Minas Gerais (-1,7%) também apontaram taxas negativas mais intensas do que a média nacional.

De maio para junho, a produção da indústria brasileira caiu 1,4% diante do forte recuo da produção de veículos, que espalha por outros ramos seus resultados negativos diante da extensa cadeia de fornecedores.

Veículos

Ambos polos da indústria automotiva, as perdas de Bahia (-1,1%) e São Paulo (-1%) também apresentaram perdas.

Com demanda em queda e estoques em alta, algumas das principais montadoras de automóveis do país também preparam novas rodadas de afastamento de funcionários.

A Fiat vai conceder férias coletivas entre 11 e 20 de agosto, quando produzirá cerca de 10 mil veículos a menos. A Ford vai adotar a mesma medida, principalmente na fábrica de Taubaté, no interior paulista.

A General Motors avisou aos sindicatos que haverá suspensão temporária de contrato de trabalho (lay-off) na unidade de São José dos Campos (SP).

Um dos principais sindicatos do setor, o Sindipeças, já distribui panfletos nas fábricas, para lembrar aos trabalhadores os direitos em casos de afastamento temporário.

Num cenário de crédito apertado (especialmente para veículos), juros maiores e empresários e consumidores receosos, a indústria vive neste ano um período sombrio e caminha para encerrá-lo em terreno negativo.

Alta

De maio para junho, porém, as altas de Rio de Janeiro (5,4%) e Espírito Santo (3,5%) interromperam a tendência de meses anteriores. Goiás teve crescimento de 0,4% e completou o conjunto de locais que mostraram taxas positivas em junho.

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