Eu acredito em Ganso

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Assim como exaltamos o talento de Ganso, quando ele atuava no Santos, e demoramos a perceber que ele não era um craque, como parecia, pois era lento, participava pouco do jogo e atuava em pequenos espaços, temos hoje uma enorme dificuldade, para não errar novamente, de reconhecer que Ganso tem feito um grande esforço para evoluir, que passou a se movimentar mais e que tem tido ótimas atuações, mesmo quando não realiza uma jogada excepcional ou o São Paulo perde. Contra o Criciúma, Ganso, além de atuar bem durante toda a partida, teve dois lances primorosos, que têm sido frequentes. No gol, amaciou a bola, para ela não correr tanto e chegar, no momento exato, nem um centímetro a mais ou a menos, para Alan Kardec fazer o gol. Em outro lance, do meio-campo, colocou a bola nos pés de Pato, livre na marca do pênalti, a poucos metros do adversário, que perdeu o gol. Ninguém bateu palmas. Parece que não acreditam mais em Ganso. Eu acredito! Ganso continua entrando pouco na área, apesar dos pedidos de Muricy. Repito, ele é um armador. Não é um meia ofensivo. Os grandes armadores do futebol mundial também entram pouco na área. Não dá para fazer tudo. Não são perfeitos. As pessoas estão tão viciadas, impregnadas, com a divisão no meio-campo, entre os volantes e os meias ofensivos, que não conseguem visualizar nem desenhar na prancheta a posição desses armadores. Será que é necessário dar um novo nome a eles para existirem? São meio-campistas. Nada mais que isso. Só não gosto que sejam chamados de segundos volantes. Um grande número de jogadores brilha em times inferiores e se apaga quando vão para equipes melhores. Tenho a impressão que Ganso, por seu estilo, se for para um dos grandes da Europa, jogar ao lado de grandes craques, vai atuar melhor e será um deles. Ganso, Souza e Maicon formam um excelente trio no meio-campo, para o nível de futebol que se joga no Brasil. Mas, sempre que o São Paulo perde, por inúmeros motivos, falam que o meio-campo é lento, troca passes demais e marca pouco. Muricy aproveita para colocar mais um zagueiro ou mais um volante marcador. Nosso futebol caminha para trás. Ganso descobriu seu lugar em campo. Um dos chavões do futebol é dizer que jogador moderno tem que atuar em várias posições. Isso é bom. O técnico Van Gaal e o holandês Kuijt foram muito elogiados na Copa porque o jogador atuou em várias posições, às vezes, em uma mesma partida. Ele sempre fez isso. Fez porque nunca foi excepcional em nenhuma posição. Se fosse, teria de achar um lugar para brilhar. O que o craque precisa ter é talento coletivo, enxergar as mudanças que ocorrem durante a partida, como se tivesse vendo o jogo de cima. E também saber que não é ele que faz o time atuar bem. É o bom conjunto do qual ele faz parte que vai fazer o craque se destacar.

Centroavantes

Na semana passada, após a goleada do Cruzeiro sobre o Figueirense, quando Marcelo Moreno deu um belo passe de calcanhar para Marquinhos fazer o gol, houve enormes elogios ao jogador. Disseram que ele está em ótima fase, que se movimenta muito e que facilita para os companheiros, que faz bem o papel de pivô, além de marcar muitos gols. Não entendi. Ele é um artilheiro, lutador, tem méritos, mas tem grande dificuldade para dar um passe simples e outras coisas básicas. Contra o Botafogo, mais uma vez, Marcelo Oliveira teve de substituí-lo. Mas isso não resolve. Até piora, já que, ao colocar Ricardo Goulart de centroavante, ele perde suas grandes qualidades, principalmente a de chegar de trás, na área, para fazer o gol. De centroavante, de costas para o gol, melhor deixar Marcelo Moreno e não perder Ricardo Goulart.

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