Indústria mineira recua 6,6%

Primeiro semestre foi muito ruim para o setor; pesquisa da Fiemg aponta Copa como “vilã”

iG Minas Gerais | da redação |

Desaquecido. Montadoras em Minas tiveram queda de 21,31% no faturamento de janeiro a junho
Mercedes-benz/divulgação
Desaquecido. Montadoras em Minas tiveram queda de 21,31% no faturamento de janeiro a junho

O primeiro semestre do ano foi ruim para a indústria mineira, que teve faturamento 6,64% menor em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).  

Em junho, o faturamento real caiu 7,12% ante maio e 12,31% em relação ao mesmo mês de 2013. “O resultado negativo é reflexo da Copa do Mundo, já que muitas empresas paralisaram as atividades ou deram férias coletivas. No ano, esse rendimento já era esperado, porque 2014 não tem sido bom”, diz a economista da entidade, Annelise Fonseca.

De janeiro a junho, o setor de veículos automotores registrou queda de 21,31% no faturamento – a maior da indústria. Os motivos seriam o desaquecimento do mercado, a dificuldade de concessão de crédito por parte dos bancos, o retorno integral do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e o recuo da demanda internacional. “Os estoques estão altos e a produção tende a cair”, afirma Annelise. A segunda maior queda é da indústria extrativa, cujo faturamento caiu 11,62% devido à redução nas vendas e do preço internacional do minério de ferro, que ficou 18,5% mais barato no período.

A retração dos investimentos e do consumo resultou também na redução de 0,19% na taxa de emprego e de 0,43% da utilização da capacidade instalada da indústria no primeiro semestre. Já a massa salarial real subiu 4,32% no período, enquanto o rendimento médio real aumentou 4,33%.

Para o restante do ano, a expectativa é de manutenção dos resultados negativos. “Outubro é mês de eleições, e o último trimestre é naturalmente fraco para o setor industrial. Agosto e setembro são os únicos meses possíveis de recuperação, mas eles não devem ser suficientes para reverter este quadro”, diz a economista.

Horas trabalhadas também caíram no primeiro semestre As horas trabalhadas caíram 1,85% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2013, segundo a pesquisa divulgada pela Fiemg. O setor de produtos de metal foi o principal responsável pela queda, com variação negativa de 20,23%, seguido do de veículos automotores, que registrou recuo de 13,07% no total de horas trabalhadas. “Muitas empresas estão suspendendo os funcionários temporariamente, porque os estoques já estão altos e o consumo, baixo”, afirma a economista Annelise Fonseca. Em junho, a indústria de veículos automotores registrou queda de 15,96% de horas trabalhadas – a maior entre todos os setores. No mês, esse indicador caiu 4,13% em relação a maio. Na comparação com junho do ano passado, as horas trabalhadas foram 4,35% menores, em função do desaquecimento do mercado em 2014.

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