Aneel libera nova onda de reajustes de energia

Cinco elétricas terão alta de até 36,4%; para 2015, já estão garantidos mais 11%

iG Minas Gerais |

Choque. Várias revisões tarifárias estão ocorrendo com reajustes superando, e muito, a inflação
Daniel de Cerqueira/O Tempo
Choque. Várias revisões tarifárias estão ocorrendo com reajustes superando, e muito, a inflação

São Paulo. O custo da energia elétrica será reajustado em até 36,4% para algumas distribuidoras do país a partir desse mês. É o que decidiu nesta terça Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nas análises de reajuste tarifário anual de cinco distribuidoras de energia, abrangendo os Estados de Santa Catarina, Espírito Santo, Pará, algumas regiões de São Paulo, alguns municípios de Minas Gerais e Pernambuco. Segundo o diretor-geral da agência, Romeu Rufino, os reajustes elevados já levam em consideração o custo mais alto da energia elétrica no país, o que deve fazer com que essa tendência seja mantida para os demais reajustes de distribuidoras concedidos ao longo deste ano e no início do ano que vem. A revisão tarifária da Cemig é em abril.  

Segundo ele, o mix de compra da energia (já que as distribuidoras compram energia de várias fontes) chega a aumentar mais de 50% em algumas regiões. “A Aneel já está repercutindo o maior custo da energia no país”, afirmou Rufino.

O presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales, mostra que a situação é mais crítica. Ele afirmou nesta terça que os empréstimos feitos às distribuidoras de energia elétrica neste ano devem significar um aumento adicional de 11% nas tarifas em 2015, fora o reajuste anual normal. Ele explica que as distribuidoras receberam R$ 10,6 bilhões do Tesouro e mais R$ 17,7 bilhões de um pool de bancos privados, totalizando quase R$ 28,4 bilhões.

Em uma conta rápida, Sales explicou que cada R$ 1 bilhão equivale a um aumento de 1% nas tarifas, mas como o reajuste será repassado aos consumidores ao longo de quase três anos, o de 2015 deve ficar perto dos 11% citados. O especialista aponta que a crise no setor é resultado de fatores como as condições climáticas adversas, a descontratação de diversas empresas e condições estabelecidas na MP 579, de 2012. Nesse cenário, a pressão sobre as distribuidoras, que tiveram de comprar energia mais cara no mercado à vista, superou muitas vezes a capacidade de geração de caixa dessas companhias.

Em sua primeira visita às obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, na tarde desta terça, a presidente Dilma Rousseff chamou de "suposições" os cálculos de reajuste da tarifa de luz provocados pelos empréstimos federais às distribuidoras. Documento interno da Aneel, segundo ela, indica acréscimo de 0,8 ponto percentual para cada R$ 1 bilhão devido pelo setor. Até o momento, os empréstimos totalizam R$ 17,7 bilhões, o que daria um acréscimo de 14,16% na conta de luz.

Distribuidoras

Alguns reajustes médios no ano para consumidores residenciais - Por empresa Escelsa (ES e PA) 24,7% Jari Celulose (PA) 5,75% Celesc (SC) 22,7% A Iguaçu Energia (SC) 5,8% Eletropaulo (SP) 18,06% CNEE (SP) 16,93% Cemig (MG) 14,24% Energisa (MG e RJ) 5,8% AES Sul (RS) 28,99% Copel (PR) 23,89% Celesc (SC) 22,7% Celpe (PE) 17,69% Energisa (SE) 12,17% Coelce (CE) 17,02% Coelba (BA) 14,82% Cosern (RN) 11,40% Enersul (MS) 9,4% Celtins (TO) 10,98% Celpa (PA) 34,3%

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