Empresa de engenharia de ar aposta em mercado diferenciado

Farmacêutico e engenheiro se unem em um empreendimento que instala os mais complexos sistemas

iG Minas Gerais | Ricardo Plotek |

Giro. Farmacêutico, José Maria Pereira largou a atividade para abrir empresa de sistema de ar para a indústria farmacêutica  e hospitais
JOAO GODINHO / O TEMPO
Giro. Farmacêutico, José Maria Pereira largou a atividade para abrir empresa de sistema de ar para a indústria farmacêutica e hospitais

Quando se fala em ar-condicionado, a grande maioria das pessoas pensa em aparelhos domésticos que têm a função de dar conforto térmico, ainda mais em um país quente como o Brasil. Porém, pouca gente sabe que alguns setores, como hospitais, laboratórios de análises clínicas e indústria farmacêutica precisam de muito mais.  

Pensando nisso, o farmacêutico José Maria Pereira e o engenheiro mecânico Frederico Abreu Lanza resolveram arriscar, saíram de suas atividades anteriores e montaram a Novaron Engenharia de Ar Ltda, em Belo Horizonte, há cerca de um ano. É uma empresa que dá todo o suporte para montagem dos mais complexos sistemas de ar-condicionado, capazes de atender essa grande demanda.

“Após 20 anos trabalhando dentro da indústria farmacêutica e mais 20 com a minha farmácia, percebi que esse mercado era e ainda é muito carente”, aponta Pereira.

O empresário, que ressalta também a experiência de 20 anos do sócio na Vale, enfatiza que ainda não há muitas empresas que prestam esse serviço em Minas Gerais. “Quando visitamos potenciais clientes, percebemos que a maioria precisava contratar firmas de fora, quase sempre de São Paulo, e a preços muito altos”, diz.

José Maria Pereira afirma que há muitas firmas de ar-condicionado no mercado, mas a grande maioria não dispõe de condições de implantar sistemas tão complexos, como exige a legislação brasileira. “Não adianta contratar uma empresa que lida com ar-condicionado residencial para um projeto em um hospital, por exemplo. Isso demanda conhecimento de microbiologia, dentre outras áreas, e só um profissional habilitado tem condições de fazer”.

Alerta. O farmacêutico lembra que os ambientes em hospitais, laboratórios de análises clínicas, indústrias de remédios e de produção de alimentos precisam de muito cuidado. “Para a esterilização do ambiente, o ar é muito importante. Na falta desse cuidado, você pode ter a contaminação de doentes em um hospital, por exemplo. No caso de análises clínicas, pode haver a alteração de resultados de exames e, na indústria farmacêutica, a produção de remédios pode ficar comprometida caso o tratamento do ar não esteja de acordo com a normatização brasileira”, reforça. Ela é feita pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e fiscalizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Quanto ao futuro, Pereira é otimista. “Estamos começando, mas já deu para ver o quanto o mercado necessita do serviço. Temos tudo para crescer ainda mais”.

Divisor de águas Caso famoso. Embora a descoberta da respiração como fonte de contágio date dos anos 1930 e a ventilação de salas de cirurgia, da década de 50, no Brasil, a contaminação pelo ar-condicionado ganhou notoriedade somente a partir de 1998, quando o então ministro das Telecomunicações, Sérgio Motta, morreu vítima de uma bactéria encontrada em aparelhos sem manutenção adequada. Nos Estados Unidos, a Legionella pneumophila é conhecida desde 1976, quando 34 idosos morreram após um encontro de veteranos de guerra que ficaram em um mesmo hotel. Portaria. Quatro meses após a morte de Motta, o Ministério da Saúde criou a Portaria 3523 – a primeira a tratar do assunto no país. Desde então, a Anvisa vem atualizando-se e segue diretrizes usadas em normas internacionais.

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