Família de universitária morta pela polícia do Rio exige justiça

Haissa foi atingida por tiro de fuzil nas costas quando voltava de festa no carro de amigos

iG Minas Gerais |

Vida abreviada. A universitária Haissa, 22, tinha acabado de conseguir um emprego, e, com os pais desempregados, sustentava a casa
Reprodução Facebook
Vida abreviada. A universitária Haissa, 22, tinha acabado de conseguir um emprego, e, com os pais desempregados, sustentava a casa

Rio de janeiro. A jovem Haissa Vargas Motta, 22, foi morta por um tiro de fuzil nas costas dentro de um carro, em Nilópolis, na Baixada Fluminense, quando voltava de uma festa no último sábado. Os disparos foram feitos por policiais militares.

As circunstâncias da morte ainda não foram esclarecidas, uma vez que os quatro policiais militares apresentaram uma versão diferente daquela apresentada pelos outros quatro amigos da jovem que estavam no veículo.

Haissa, que cursava faculdade na Unisuam, morreu em uma Unidade Pronto Atendimento (UPA) de Nova Iguaçu. Segundo o pai, Ironildo Motta, era ela que estava sustentando a casa. “Eu e minha mulher estamos desempregados. Ela tinha acabado de conseguir um emprego num centro médico. Levaram o meu bebê. Não estou aguentando essa dor”. A mãe, Sônia Vargas, quer justiça. “Sempre falava para ela ter cuidado. Dizia que não temos que temer apenas os bandidos, que a polícia mata também”. Os quatro policiais foram afastados das ruas até que o inquérito seja concluído.

De acordo com o comando do 41º Batalhão (Irajá, na zona Norte), os policiais patrulhavam a avenida Nazaré, no bairro Anchieta, e suspeitaram de ocupantes de um veículo HB20, branco, “pois já haviam recebido informações de que havia ocorrido assaltos realizados por criminosos em veículos com as mesmas características”, explica a nota da assessoria de imprensa da PM.

Ainda segundo a versão oficial, o motorista fugiu quando os militares tentavam abordá-lo, então “os policiais dispararam contra os pneus do carro que parou na Avenida Roberto Silveira, em Nilópolis”. Haissa, que estava no banco do meio, foi ferida. O condutor do veículo, que não teve o nome divulgado, foi encaminhado para a 58ª Delegacia de Polícia (Posse, em Nova Iguaçu, na Baixada).

Já os amigos de Haissa dizem que os policiais não sinalizaram, iniciaram uma perseguição com o farol da viatura alto e atiraram contra o veículo sem saber quem estava no carro. “Não sinalizaram nada, não piscaram farol, não fizeram barulho de nada. Eles simplesmente surgiram e alvejaram a gente. Eles atiraram pra matar. Não foi pra advertir, pra chamar atenção. Como que a polícia atira mais de dez vezes com fuzil em cima de um carro sem saber quem são?”, questiona uma das amigas da jovem, em entrevista ao jornal Bom Dia Rio.

Investigação

Provas. O carro em que a jovem estava foi periciado, testemunhas foram ouvidas, e as câmeras de segurança dos arredores foram solicitadas. A viatura policial tem câmeras que serão analisadas.

Assassinatos de mulheres desafiam investigação Goiânia. Uma sequência misteriosa de 12 assassinatos de jovens mulheres com características parecidas fez a Polícia Civil de Goiás criar uma força-tarefa, com dez delegados, para apurar os crimes, todos ocorridos em Goiânia. A suspeita é de que há diferentes criminosos agindo da mesma forma, mas agora nem mesmo os investigadores descartam a atuação de um assassino em série. A última vítima, Ana Lídia de Souza, tinha apenas 14 anos e foi morta no sábado, 2, em um ponto de ônibus, com dois tiros no peito. A morte em local público, como aconteceu com a adolescente, é uma das características dos casos. Mas a principal marca tem a ver com o assassino, que sempre está de capacete, em uma motocicleta de baixa cilindrada, mas descrita como vermelha ou preta, e de marcas diferentes. O homem se aproxima das vítimas e, em algumas vezes, pede um objeto como celular, ou não, depois atira e não leva nada. O delegado Murilo Polati reforçou que as investigações caminham para casos com motivações diferentes e múltiplos autores, mas a ação de um só passou a ser publicamente considerada.

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