Sexo, pesquisa e televisão

Canal exibe a partir de sexta a segunda temporada de “Masters of Sex”

iG Minas Gerais | Isis Mota |

Tudo pelo sexo. Michael Sheen e Lizzy Caplan encarnam os pesquisadores Masters e Johnson na série exibida pela HBO
Craig Blankenhorn
Tudo pelo sexo. Michael Sheen e Lizzy Caplan encarnam os pesquisadores Masters e Johnson na série exibida pela HBO

A HBO traz de volta a delicadeza e a complexidade de “Masters of Sex” nesta sexta-feira, dia 8, às 22h. A série produzida pelo canal Showtime se baseia em um livro biográfico e conta a história do doutor William Masters e sua assistente, Virginia Johnson. Juntos, eles revolucionaram os estudos sobre a sexualidade humana a partir de 1957, quando a série começa. Se não tudo, boa parte do que sabemos hoje sobre a ciência do sexo devemos aos dois.

Masters (Michael Sheen) era um ginecologista atormentado por uma questão: embora houvesse centenas de livros sobre como os bebês nascem, não havia na literatura médica uma linha sequer sobre como eles são concebidos. Obcecado, driblou as regras da universidade em que trabalhava e os tabus de uma época em que não era apropriado falar de sexo para conduzir estudos observando casais durante o ato, enchendo-os de eletrodos e anotando os mínimos detalhes. Ao contratar uma secretária, a grata surpresa:  ex-cantora de boate, divorciada, mãe de dois filhos, Virginia Johnson se  interessou tanto pela pesquisa que se tornou sua parceira, tão transgressora quanto o estudo que faziam.

Vamos combinar: uma história real cheia de sexo e segredos tinha tudo para dar certo na televisão. E deu. O autor da biografia que serve de base para “Masters of Sex”, Thomas Maier, já revelou, em entrevistas, que quando o livro chegou às prateleiras, recebeu mais de dez ofertas para adaptações audiovisuais. “Eu preferia fazer um filme, mas fui convencido de que uma série de TV seria a melhor forma de contar essa história”.

Ainda bem. Num ritmo bem mais lento que o acelerado a que a televisão tem nos acostumado, “Masters of Sex” envolve o telespectador. A Virginia de Lizzy Caplan, libertária e decidida, seduz não só ao reprimido Masters de Michael Sheen, indicado ao Globo de Ouro de melhor ator de série dramática, mas a todos nós. O paradoxo entre os dois acaba deixando óbvio o que vem pela frente: Virginia e Masters tornam-se cobaias do próprio estudo, mas continuam fingindo que transam por puro profissionalismo.

O espectador fica esperando pelo momento em que eles finalmente vão admitir o que acontece, mas a sombra do machismo embaça as relações. Todas as decisões de Masters com relação a Virginia são dúbias, e a segurança dela acaba abalada pela possibilidade de ser sempre diminuída por ser apenas uma mulher fácil ou uma profissional com menos estudo que o chefe. É uma aula de televisão com inteligência, tesão e humor. A segunda temporada continua de onde a primeira parou: o médico, casado e infeliz, bate na porta da casa de sua assistente e se declara.

Um conselho. Se você não se sente absolutamente confortável com a sexualidade, assista sozinho. É que será difícil sentar-se ao lado de alguém vendo, na tela, um casal medir tamanhos de pênis, introduzir uma microcâmera numa vagina ou observar uma mulher se masturbando enquanto discutem se é possível ou não ela sentir prazer sem um parceiro.

Na vida real

Casamentos. Em 1969, Masters se divorciou da primeira mulher. Casou-se com Virginia Jonhson em 1971. Eles ficaram juntos por mais de 20 anos, e separaram-se amigavelmente. Ele ainda teve uma terceira mulher.

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