Santo do pau oco

iG Minas Gerais |

“Santo do pau oco” é uma expressão popular para designar pessoas dissimuladas, sonsas, gente manhosa como cachorro de madame. Os melhores exemplos desse tipo estão na classe política. Alguns deles me fazem lembrar o caso do ladrão de porcos, apanhado em flagrante delito: o cara entra no chiqueiro alheio à noite, pega um leitão, amarra uma embira no focinho do bicho e vai saindo de fininho, com o porco surrupiado nas costas. Pego no flagra, sem tempo de se desfazer da carga, é interpelado pelo dono do bicho: “Onde o senhor pensa que vai carregando meu porco?” E o ladrão, surpreso: “Que porco?” “Esse aí, embirado em suas costas!” “Moço de Deus, se você não me avisa, eu ia tomar um susto, nem vi o bicho muntani mim! Xô pra lá, fi duma porca!” Qualquer semelhança com políticos em voga não será mera coincidência, pois, hoje em dia, quanto mais se acham importantes, mais dissimulados, mais ignorantes... O ex-Luiz, exemplo maior, nunca sabe de nada e faz de conta que não carrega uma suinocultura nas costas e um verdadeiro minhocal na cabeça. Seu caso é grave porque é valente por ignorância conveniente e faz vista e ouvidos de mercador como um verdadeiro santo do pau oco. Mas apareceu um ainda mais sem-vergonha que qualquer outro: esse tal José Roberto Arruda, melhor exemplo de pessoa que deveria ser banida da política, por medida profilática, agora candidato a governador do Distrito Federal – que, diga-se de passagem, nunca deveria ter deixado de ser um território federal, administrado apenas por um intendente, como cargo de confiança do presidente da República, sem deputados e, menos ainda, senadores e vereadores, aliás, “in statu quo ante”. No caso em questão, não se trata apenas de dissimulação: o cara teve o mandato de deputado federal cassado por ter violado e falsificado o painel de votação do Congresso Nacional. Depois, não sei como, foi eleito governador de Brasília e foi cassado e preso por roubar dos cofres públicos, recebendo propina, cena exposta na televisão. Agora, é candidato outra vez a governador e lidera as pesquisas de intenção de voto. O cara é um baita ficha-suja. Como disse Francelino Pereira: “Que país é este?” Respondo: este é o país do futebol, que, depois de continuar falando e agindo em termos de Copa disso e Copa daquilo, semana próxima assistirá a uma nova convocação da seleção brasileira para disputar não sei o quê, não sei onde. Gente, e trabalhar para pagar dívidas, quem quer? Já pensou o que poderia ser feito como mais de R$ 120 bilhões de juros que pagamos por ano? Esses bilhões deveriam ser empregados em infraestrutura, educação e saúde, com médicos brasileiros ou mesmo cubanos, com direito de ir e vir e sem “dividir” a remuneração desses profissionais com os irmãos Castro ou pagar dívidas da Bolívia, da Argentina e do tal de Maduro, o homem que fala com o Chávez por meio de um passarinho. O sonho sonhado é de graça.

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