Perguntas já eram públicas, diz relator da CPI da Petrobras

O líder do PT no Senado, Humberto Costa, também rebateu a denúncia; Ele afirmou ser "absolutamente natural que haja trocas de informações institucionais entre as assessorias da CPI e das lideranças dos partidos"

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O relator da CPI da Petrobras no Senado, José Pimentel (PT-CE), respondeu nesta terça-feira (5) à denúncia de fraude na comissão e afirmou que as perguntas a serem feitas nos depoimentos já haviam sido divulgadas publicamente no plano de trabalho da CPI.

Reportagem da revista "Veja" do fim de semana afirma que a presidente da Petrobras, Graça Foster, o ex-presidente da estatal Sérgio Gabrielli e o ex-diretor da estatal Nestor Cerveró receberam antecipadamente as perguntas que responderiam na CPI do Senado.

Pimentel, que é líder do governo no Congresso, era o responsável pelas perguntas e se pronunciou pela primeira vez no plenário do Senado nesta terça sobre o caso. "O plano de trabalho aprovado por unanimidade já continha uma relação prévia de perguntas a serem dirigidas aos depoentes e da mesma forma uma relação daqueles que deveriam ser convocados", afirmou o senador.

"Logicamente os convocados poderiam se preparar melhor sobre as questões ali adiantadas no plano de trabalho, que foi tornado público na própria reunião da comissão, após sua aprovação", disse. Pimentel afirmou não ter se reunido com depoentes nem orientado depoimentos.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa, também rebateu a denúncia, que classificou de "ajuntamento de tolices". Ele afirmou ser "absolutamente natural que haja trocas de informações institucionais entre as assessorias da CPI e das lideranças dos partidos" com a Petrobras.

Costa lembrou a CPI do Cachoeira, em 2012, e disse que o PSDB fez a mesma prática na ocasião, com o governador de Goiás Marconi Perillo e com o ex-diretor da Dersa, estatal paulista de obras rodoviárias, Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto. "Na mesma CPI do Cachoeira, o PSDB também conversou bastante com uma figura conhecidíssima sua, o senhor Paulo Preto, responsável pelo Rodoanel de São Paulo, que segundo noticiou a imprensa combinou com os tucanos as respostas que daria na comissão", afirmou Humberto Costa.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, também se pronunciou sobre o caso e afirmou que "só haveria farsa se houvesse a impossibilidade de qualquer senador fazer a pergunta que quisesse". "Se a oposição deixou de fazer perguntas, ela tem que prestar contas ao povo", afirmou.

Nesta terça, o líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira, encaminhou ao Ministério da Justiça pedido de investigação sobre envolvimento de servidores públicos e senadores em um suposto esquema de combinação de perguntas na CPI da Petrobras.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave