Chefe de gabinete de Argôlo nega ter recebido R$ 120 mil de Youssef

De acordo com as investigações da Polícia Federal, Vanilton teria recebido em sua conta pessoal R$ 120 mil

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

O chefe de gabinete do deputado Luiz Argôlo (SD-BA), Vanilton Bezerra, afirmou nesta terça-feira (5) nunca ter recebido qualquer quantia de dinheiro do doleiro Alberto Youssef e aceitou o pedido de quebra de seu sigilo bancário. Ele foi ouvido como testemunha convidada pela relatoria no processo que investiga as relações do deputado baiano com Youssef. O deputado é acusado de ter usado dinheiro público da Câmara dos Deputados para viajar e se reunir com o doleiro.

De acordo com as investigações da Polícia Federal na Operação Lava Jato, Vanilton teria recebido em sua conta pessoal R$ 120 mil depositados por Youssef. "Nunca foi feito nenhum depósito", afirmou Bezerra em um rápido depoimento.

Como o Conselho de Ética não tem poder de pedir judicialmente a quebra do sigilo, Bezerra terá que fazê-lo de forma espontânea. Ao final da reunião, ele se comprometeu a entregar cópias dos extratos de todas as suas contas bancárias, segundo informou Marcos Rogério.

De acordo com investigação da Polícia Federal, Argôlo e o doleiro trocaram 1.411 mensagens entre 14 de setembro de 2013 e 17 de março de 2014. O celular usado por Argôlo está registrado em nome da Câmara, de acordo com a PF. Bezerra afirmou ainda que não conhece Youssef e não sabe se Argôlo e o doleiro eram amigos.

Bezerra foi a primeira testemunha ouvida no processo contra Argôlo. A primeira tentativa de convidar testemunhas foi feita no início de julho. Para dar celeridade ao caso, o relator abriu mão das outras testemunhas indicadas por ele. A partir das próximas reuniões, o conselho ouvirá pessoas indicadas pela defesa do deputado.

Ainda hoje, o Conselho de Ética irá ouvir o depoimento do deputado André Vargas (sem partido-PR). Será a primeira vez que ele se pronunciará sobre duas acusações que deram origem ao processo a que responde por quebra de decoro parlamentar no colegiado. Depois, o relator do caso, deputado Júlio Delgado (PSB-MG), deverá apresentar o seu parecer e o seu voto, que, se considerar o deputado culpado, pode pedir a cassação do seu mandato. No entanto, será necessário um quórum mínimo de 11 deputados para votar o relatório.

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