Moradores de Lourdes contestam pesquisa sobre aprovação a bares

Associação diz que resultado de 85% de aprovação é irreal, alegam que a realização do levantamento era desconhecida e que nenhum de seus integrantes ou familiares foi consultado

iG Minas Gerais | BERNARDO ALMEIDA |

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Uma pesquisa encomendada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel-MG) divide opiniões em Lourdes, bairro nobre da região Centro-Sul de Belo Horizonte, que conta com cerca de 60 bares, botecos e casas noturnas.

De acordo com a pesquisa divulgada esta semana, 85% dos moradores aprovam a presença de bares em Lourdes. A pesquisa ouviu 206 pessoas, que vivem há mais de cinco anos no bairro, e foi conduzida pelas empresas Loggia e Expertise. Resultado que não condiz com a realidade, segundo a presidente da Associação de Moradores do Bairro de Lourdes (Pró-Lourdes), Lúcia Rocha.

A pesquisa identificou como pontos positivos apontados pelos moradores a variedade e qualidade das opções de lazer e gastronomia, a segurança proporcionada pela movimentação de pessoas e o fato de a região ser considerada ponto de encontro de quem quer se divertir e conhecer gente nova. Já poluição sonora, bagunça e aglomeração foram os elementos mais apontados pelos moradores descontentes com os bares.

“Estamos achando essa pesquisa extremamente tendenciosa, nenhum de nossos associados ou familiares foi consultado, ninguém estava ciente de que a pesquisa estava sendo realizada, e a metodologia utilizada precisa ser esclarecida”, questiona Rocha, após reunião realizada por membros da Pró-Lourdes, nessa segunda-feira (4).

A associação, segundo Lúcia Rocha, possui 450 integrantes, dentro de um universo de 18.905 residentes no bairro, segundo o Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O presidente da Abrasel-MG, Fernando de Almeida Júnior, defende os resultados e diz que a pesquisa foi encomendada justamente para que as discussões acerca da presença dos bares fossem sustentadas estatisticamente, e não se restringissem ao choque de versões.

“Contra números, não há argumentos. Nós procuramos institutos de credibilidade para acabar com os ‘achismos’ em torno da percepção dos moradores sobre os bares. Mesmo porque nós sabemos que grande parte dos nossos clientes está no entorno dos estabelecimentos, então o que nos interessa é uma convivência boa”, argumenta Júnior, que se disse surpreendido pelo índice de aprovação.

“Eu esperava que contássemos com o apoio da maioria, mas não esperava que fosse por uma margem tão grande. Desafio a Pró-Lourdes a fazer uma pesquisa própria, quantas vezes quiser, que esse número não fica abaixo de 80%”, diz o presidente da Abrasel-MG, em referência à margem de erro da pesquisa, que é de 6,9%.

Políticas urbanas

Representantes da Pró-Lourdes e da Abrasel-MG se encontram em reuniões do Conselho Municipal de Política Urbana (Compur), que começaram na última quinta-feira (31) e ocorrerão novamente nesta quinta (7), juntamente com representantes do poder público, como Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, fiscais da Prefeitura de BH e de outras associações de moradores do bairro. O funcionamento de bares em Lourdes está em pauta, e a Pró-Lourdes reivindica algumas alterações.

“Obviamente não estamos falando de todos, mas de alguns que são mais poluentes, e que atualmente são considerados estabelecimentos de baixo impacto ambiental, e queremos que passem a ser enquadrados como de alto impacto ambiental”, reclama Lúcia Rocha.

A presidente da Pró-Lourdes reivindica ainda mudanças para condicionar a autorização dos bares. “É um absurdo que os alvarás não determinem um horário de fechamento para os bares”.

Para Fernando de Almeida Júnior, os bares já seguem as normas necessárias. “Não existe isso de determinar horário de fechamento, isso é desnecessário. Contanto que o lugar respeite as leis específicas, como a lei do silêncio, não há problema em funcionar até às 5h, 10h da manhã”.

Quanto à reclamação do impacto ambiental provocado pelo barulho dos bares, o presidente da Abrasel-MG discorda. “Nós temos realizado campanhas para reduzir o barulho, ações como o Boa Noite em BH, e desde então eu tenho feito medições de decibeis, e o barulho dos carros que passam pelas ruas, por exemplo, é maior do que o som gerado dentro dos estabelecimentos”.

Metodologia

A pesquisa “O que pensam os moradores do bairro de Lourdes sobre os bares e restaurantes na região” consultou seis pessoas durante a etapa qualitativa, por meio de entrevistas individuais realizadas em domicílio, com roteiro de perguntas abertas e tópicos flexíveis, e 200 pessoas na fase quantitativa, com o uso de questionários semiestruturados, com perguntas fechadas e abertas. Todos os entrevistados, homens e mulheres, têm acima de 18 anos residem no bairro há mais de 5 anos.

“Primeiramente, estabelecemos um perímetro delimitando o bairro por suas ruas principais, de maneira a ter um espaço geográfico representativo das áreas residenciais e aquelas mais próximas da concentração de bares e restaurantes. Para garantir a aleatoriedade da amostra, esse perímetro foi dividido em quatro, para evitar que as entrevistas se concentrassem apenas num conjunto de ruas”, explicou Luiz Gustavo Machado Linhares, diretor de planejamento da Loggia.

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