Bolsa brasileira cai junto com EUA após dados ruins da China

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em queda de 0,73%, aos 56.202 pontos; O volume financeiro negociado no pregão foi de R$ 6,58 bilhões

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

A Bolsa brasileira interrompeu sequência de duas altas e fechou em baixa nesta nesta terça-feira (5), influenciada por indicadores econômicos nos Estados Unidos melhores que o esperado -levantando a hipótese de que o banco central americano possa subir os juros antes do esperado- e por dados ruins da China.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em queda de 0,73%, aos 56.202 pontos. O volume financeiro negociado no pregão foi de R$ 6,58 bilhões.

Indicadores econômicos dos EUA pesaram sobre a Bolsa nesta terça (5), afirmam analistas. O ritmo de crescimento do setor de serviços no país atingiu em julho a máxima em oito anos e meio, impulsionado pelo crescimento da atividade empresarial, de novas encomendas e do emprego, de acordo com relatório do Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM, na sigla em inglês).

Além disso, as novas encomendas de bens industriais nos Estados Unidos cresceram mais que o esperado em junho, à medida que a demanda aumentou de forma generalizada, indicando um fortalecimento na atividade do setor.

No mercado, a avaliação é que os dados mostrando fortalecimento da atividade econômica nos EUA possam levar o Fed -banco central dos Estados Unidos- a elevar os juros no país antes de meados de 2015.

Um aumento nos juros americanos deixaria os títulos do Tesouro dos EUA -remunerados por essa taxa e considerados de baixíssimo risco- mais atraentes do que aplicações em mercados emergentes.

"Além da política monetária nos EUA, o aumento das tensões no leste europeu contribui para o clima de cautela na Bolsa hoje", diz Julio Hegedus, economista-chefe da consultoria Lopes Filho. O presidente russo Vladimir Putin afirmou nesta terça (5) que ordenou seu governo a retaliar as medidas adotadas por EUA e União Europeia contra a Rússia.

Há também um aumento das tensões envolvendo Ucrânia e Rússia, com declarações do chanceler da Polônia, Radoslaw Sikorski, à emissora TVN24 de que a Rússia teria juntado forças militares na fronteira com a Ucrânia para colocar pressão sobre o país vizinho ou invadi-lo.

Para o analista João Pedro Brügger, da consultoria Leme Investimentos, é preciso monitorar o aumento das tensões no exterior. "O mercado tem subestimado o conflito entre Rússia e o Ocidente, mas isso pode acirrar a volatilidade nas Bolsas caso a situação se agrave", avalia. Na China, o crescimento do setor de serviços desacelerou em julho e registrou o nível mais lento em quase nove anos, segundo a pesquisa Índice de Gerentes Compras (PMI, na sigla em inglês).

Petrobras e Itaú

Apesar da queda da Bolsa, as ações do Itaú Unibanco e da Petrobras subiram nesta sessão. Os papéis do Itaú Unibanco, que chegaram a subir mais de 2% ao longo do dia, fecharam em alta de 1,35%, a R$ 35,95.

Pela manhã desta terça (5), o Itaú divulgou que teve lucro líquido de R$ 4,899 bilhões entre abril e junho deste ano, valor 36,7% superior ao registrado no mesmo período de 2013. O resultado, segundo o banco, foi possível pelo aumento das margens e pela diminuição da inadimplência no período.

Em relatório, o analista Ricardo Kim, da XP Investimentos, classificou o balanço como "estupendo" e disse que continua recomendando a ação do banco como forma de obter ganhos de capital e proventos (parte do lucro distribuída aos acionistas) no curto, médio e longo prazos.

"O desempenho pode ser considerado, de fato, como a melhor performance do setor financeiro. A instituição de grande porte, mesmo em meio a um ambiente de negócios desfavorável, conseguiu entregar uma evolução extraordinária em termos de resultado final", disse o analista.

Para ele, o bom resultado do Itaú Unibanco é reflexo de sua estratégia focada em ganhos de eficiência, expansão dos níveis de spreads (diferença entre os juros que o banco paga ao investidor e o quanto cobra para emprestar a outro cliente) praticados, evolução de suas operações de crédito e inadimplência/custos sob controle.

Já as ações preferenciais (sem direito a voto) da Petrobras tiveram alta de 1,29%, a R$ 19,70. Já os papéis ordinários -com direito a voto- subiram 0,55%, a R$ 18,37.

Analistas afirmam que as ações de estatais devem voltar a sofrer influência nesta semana da expectativa pela pesquisa eleitoral Ibope, prevista para quinta-feira (7), de acordo com o site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Em sentido oposto, as ações da Telefônica Brasil lideraram as baixas no Ibovespa, com desvalorização de 3,03%, a R$ 43,20. As ações da TIM Participações perderam 1,04%, a R$ 11,23. O setor sentiu impacto da notícia de que a espanhola Telefónica ofereceu R$ 20,1 bilhões pela GVT, unidade brasileira da francesa Vivendi, em uma estratégia para fortalecer sua liderança no mercado de telecomunicações móveis no país.

Influenciada pelos dados ruins da China, as ações preferenciais da mineradora Vale caíram 1,39%, a R$ 28,30.

Câmbio

O clima de aversão ao risco nos mercados internacionais, diante de números mais fracos da economia chinesa, colaborou para a alta do dólar sobre as principais moedas internacionais nesta terça-feira (5).

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, subiu 0,53%, a R$ 2,276, enquanto o dólar comercial, usado no comércio exterior, teve valorização de 0,92%, a R$ 2,283.

Segundo Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, os dados positivos dos EUA e os indicadores negativos da China influenciaram na alta da moeda americana. "Os dados da China preocuparam os investidores. Se está ruim para eles, imagina para os parceiros da China. Como a gente depende deles em todos os aspectos, as notícias ruins envolvendo eles são ruins para a gente", avalia.

O Banco Central deu continuidade ao seu programa de intervenções diárias no câmbio, através do leilão de 4.000 contratos de swap (operação que equivale à uma venda futura de dólares), por US$ 198,9 milhões.

A autoridade também realizou um outro leilão para rolar 8.000 contratos de swap com vencimento em 1º de setembro deste ano, por US$ 395,2 milhões. Até o momento, o BC já rolou cerca de 8% do lote total com prazo para o primeiro dia do mês que vem.

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