Ex-executivo espera ser beneficiado por revisão do TCU sobre Pasadena

Renato Bertani, hoje diretor executivo da petroleira Barra Energia, espera que pedido de correção colocado na pauta pelo relator do processo

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

A revisão das responsabilidades relacionadas à compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras, posta na pauta da plenária do TCU desta quarta-feira (6), deverá beneficiar mais um ex-funcionário da empresa, além do ex-diretor Ildo Sauer, sucedido em 2007 na diretoria de gás por Maria das Graças Foster, atual presidente.

Assim como Sauer, o geólogo Renato Bertani, hoje diretor executivo da petroleira Barra Energia, espera que o pedido de correção colocado na pauta pelo relator do processo, ministro José Jorge, tire dele responsabilidades por decisões tomadas depois de sua saída.

Bertani foi presidente da Petrobras América na época da negociação para a compra de metade da refinaria, entre 2005 e 2006. O contrato de compra da refinaria foi assinado em setembro de 2006. Ele deixou a empresa em 2007.

Bertani quer que seja revista sua participação em dois episódios identificados pelo TCU no processo de Pasadena: o não abatimento de adiantamento de pagamentos feitos à sócia Astra, no valor de US$ 39 milhões, no momento de fechamento de 50% da refinaria, e a decisão de prolongar a disputa judicial, em 2009, o que acabou aumentando o valor final pago pela Petrobras na compra do restante da refinaria, em 2012.

Bertani alega que não poderia ter se oposto às duas decisões por já estar fora da empresa e que, segundo ele, a Petrobras já provou a realização dos descontos dos adiantamentos à Astra, quando pagou pela compra dos primeiros 50%.

O geólogo foi sucedido na presidência da Petrobras America pelo engenheiro Alberto Guimarães, que comandou a Petrobras America entre 2007 e 2008. Guimarães foi substituído por José Orlando de Azevedo, funcionário de carreira da Petrobras e primo do então presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli de Azevedo.

Orlando deixou a Petrobras em março, quando ocupava a diretoria da subsidiária Transportadora Associada de Gás.

O relatório do TCU foi apresentado há duas semanas e responsabilizou 11 executivos e ex-executivos da empresa. De acordo com o tribunal, as perdas para a Petrobras com o negócio foram de US$ 792 milhões, que deveriam ser ressarcidos pelos apontados como responsáveis pelo negócio.

Para tanto, o TCU havia decretado a indisponibilidade dos bens dos executivos, o que não ocorreu de fato ainda, devido aos erros verificados após a aprovação do relatório do tribunal, há duas semanas.

Na semana passada, o TCU informou que estava apurando possíveis equívocos relacionados a cargos e datas e que o que fosse constatado como errado seria corrigido por meio de nova decisão.

Outras falhas

A revisão do relatório deverá incluir entre os responsáveis pela compra de Pasadena a atual presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster.

A executiva passou a integrar a diretoria da empresa em setembro de 2007, quando Petrobras e a sócia Astra já vinham se desentendendo em relação à gestão da refinaria. Seu nome, porém, não foi incluído entre os responsáveis apontados pelo TCU na decisão anunciada há duas semanas.

Ildo Sauer, diretor de gás da empresa entre 2003 e 2007 e antecessor de Graça, foi o primeiro a apontar publicamente as falhas do TCU.

Sauer era da diretoria em 2006, e participou da aprovação dos primeiros 50%. Ele alega que a proposta estava adequada ao plano estratégico da empresa e, por isso, deu-lhe aval, junto com os demais diretores.

Assim como Bertani, Sauer também deixou a empresa antes do litígio judicial com a Astra. Outro que não estava mais na diretoria da Petrobras no início da briga judicial foi Nestor Cerveró, responsável pelo resumo executivo apresentado ao conselho de administração que a presidente Dilma Rousseff classificou como "falho", em março passado, como justificativa para ter aprovado o negócio. Em 2006, Dilma presidia o conselho de administração da Petrobras. Cerveró saiu da diretoria em março de 2008 e foi substituído por Jorge Zelada.

Se o TCU mantiver a lógica de inclusão de Graça na nova decisão, os demais sucessores de executivos que deixaram a empresa relacionados à compra de Pasadena no cargo poderão ser responsabilizados pela prorrogação da disputa judicial.

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