Congresso está participando de 'farsa', diz FHC

Na avaliação do tucano, se for comprovado que houve o repasse antecipado do "gabarito", o Senado Federal participou de uma "farsa", que é, segundo ele, "inaceitável"

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Líderes da oposição se reúnem para
PAULO VITOR/AE - 26.2.2010
Líderes da oposição se reúnem para "blindar" paulista e contra-atacar petista

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cobrou nesta terça-feira (5) explicações da Petrobras e do Congresso Nacional sobre denúncia de que representantes da empresa petroleira receberam com antecedência as perguntas que lhe seriam feitas em CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA).

Na avaliação do tucano, se for comprovado que houve o repasse antecipado do "gabarito", o Senado Federal participou de uma "farsa", que é, segundo ele, "inaceitável".

"A Petrobras tem de dar explicações e também o Congresso Nacional. Realmente o Congresso Nacional tem de se explicar. Se isso for assim, ele está participando de uma farsa, o que é inaceitável", criticou.

Para o tucano, quem se beneficia com o aparelhamento da Petrobras são os partidos aliados ao governo federal. "Não sei se o aparelhamento é a favor do governo federal, é a favor dos partidos", disse.

A revista "Veja" revelou no final de semana que a presidente da Petrobras, Graça Foster, o ex-presidente da petroleira Sérgio Gabrielli e o ex-diretor da empresa Nestor Cerveró receberam antecipadamente as perguntas que responderiam na CPI do Senado Federal.

A publicação também divulgou vídeo que flagra uma conversa entre José Eduardo Barrocas, chefe do escritório da Petrobras em Brasília, e Bruno Ferreira, advogado da empresa. Na conversa, os dois dão detalhes do acerto para antecipar as perguntas.

LULA

O ex-presidente participou nesta terça-feira (5) do GreenBuilding Brasil 2014, uma conferência internacional de Meio Ambiente, promovida na capital paulista. Na saída do evento, ele foi perguntado sobre a sua relação com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem trocou críticas públicas na semana passada.

O tucano disse que não considera o petista um "inimigo político", mas considerou que o seu antecessor no Palácio do Planalto tem uma visão diferente sobre ele.

"Eu nunca considerei como inimigo político. Esse negócio de inimigo quem gosta é o Lula, o 'nós e eles'. Nós somos todos brasileiros. Eu acho que ele é um concorrente e espero que ele veja as coisas assim. E não fique com essa ideia de 'nós e eles'", disse.

Na avaliação do tucano, o petista teve mais sorte que a presidente Dilma Rousseff ao ter governado em um período com um cenário econômico mais favorável que o atual. De acordo com ele, o seu antecessor também é mais "hábil" com o Congresso Nacional que a atual presidente e "tem uma certa tendência" de se aliar com setores com os quais a petista não se aliaria.

"O Lula teve mais sorte, pegou a economia crescendo. Ela pegou a economia baixando. O Lula é mais hábil com o Congresso Nacional. Agora, o Lula tem uma certa tendência de se aliar com setores que eu acho que a Dilma preferiria não se aliar", disse, sem especificar os setores a que se referiu.

O tucano defendeu que PT e PSDB deveriam atuar juntos para solucionar questões importantes para o país. Na avaliação dele, no entanto, não é essa a visão dos petistas. "Há certas questões que o povo precisa de todo mundo, que não dá para ficar fazendo picuinhas", criticou.

Em tom de brincadeira, apesar das recentes divergências com o seu antecessor, o tucano disse que convidaria o petista para assistir ao jogo do Corinthians. "Eu sou corintiano, chamaria", disse. Os dois ex-presidentes torcem pelo time paulista.

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