Bola volta a cadeira dos réus por mortes em centro de treinamento

Julgamento ainda não tem data marcada; além de Bola, outros três policiais civis são suspeitos pelos crimes em 2008 e respondem em liberdade

iG Minas Gerais | Da Redação |

Alguns acreditam na inocência, mas delegado afirma que suspeito do assassinato de Eliza Samudio é
CRISTIANO TRAD - 15.7.2010
Alguns acreditam na inocência, mas delegado afirma que suspeito do assassinato de Eliza Samudio é "especialista em matar"

Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, condenado a 22 anos de prisão pelo homicídio duplamente qualificado de Eliza Samudio, em 2010 - ex-amante do goleiro Bruno Fernandes - vai a júri popular novamente, segundo decisão da juíza Cirlaine Maria Guimarães, da comarca de Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte. Bola, Anderson Marques Alves, Gilson Costa e Wanderlim de Souza são acusados de terem matado duas pessoas em maio de 2008, no centro de treinamento do Grupo de Respostas Especiais (GRE) da Polícia Civil.

Além do crime de homicídio – por motivo fútil, com usos de meio cruel e de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas e para ocultar outro crime –, os réus responderão pelos crimes conexos de tortura, sequestro e cárcere privado, ocultação de cadáver e peculato.

A denúncia do Ministério Público aponta que Bola e os três policiais civis abordaram as duas vítimas, que estavam em um veículo próximo ao sítio de treinamento da Polícia Civil. Os quatro constataram que as vítimas tinham antecedentes criminais e suspeitaram que iriam roubar cargas. Com isso, as colocaram em uma viatura e as levaram para o centro de treinamento, onde foram interrogadas, despidas, algemadas e torturadas. Em seguida, as vítimas foram asfixiadas e esquartejadas. O veículo em que as vítimas estavam também foi levado. Posteriormente, a placa do carro foi retirada e colocada em outro veículo.

Corregedoria

O desaparecimento das vítimas foi registrado por familiares em maio de 2008. Um ano depois desse registro, uma denúncia anônima chegou à Corregedoria-Geral de Polícia Civil afirmando que os quatro acusados tiveram participação no crime. Segundo o Ministério Público, o caso foi apurado pela Corregedoria.

Em sua decisão, do fim de julho deste ano, a juíza concedeu a Alves, Costa e Souza o direito de recorrer em liberdade. Já Bola continuará preso  na Casa de Custódia da Polícia Civil, no bairro Horto, região Leste de Belo Horizonte. Para a magistrada, os diversos apontamentos em suas certidões de antecedentes criminais revelam o risco que sua liberdade poderá acarretar à ordem pública e à aplicação da lei penal. 

Essa decisão está sujeita a recurso, e não há ainda data prevista para a realização do julgamento.  

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