BH deve perder moradores

Restrições para construção e saturação de bairros da capital irão aquecer cidades vizinhas

iG Minas Gerais | ludmila pizarro |

Condomínio. Alphaville Lagoa dos Ingleses oferece aos moradores até transporte para a capital
Ana Paula Lobato/DivulgaÇÃO
Condomínio. Alphaville Lagoa dos Ingleses oferece aos moradores até transporte para a capital

Há alguns anos atrás, viver em um condomínio fechado nos arredores de Belo Horizonte era símbolo de status, quase um luxo. Hoje, um apartamento novo, de cerca de 90 m², em bairros como Castelo, Buritis ou Coração Eucarístico, vale tanto quanto um imóvel em condomínio localizados em Nova Lima, Lagoa Santa ou Itabirito. A segunda opção ainda pode oferecer mais espaço, área de lazer e contato com a natureza. O metro quadrado dos dois imóveis gira hoje em torno de R$ 5.500. O quadro, segundo o diretor da Alphasul Consultoria Imobiliária, Márcio Tavares Lanna, tem aumentado a procura por esses empreendimentos em 15% nos últimos três meses. O professor universitário Marco Túlio Carvalho de Souza Andrade comprou há cerca de dois anos um lote em Nova Lima e está construindo. “Vou gastar a mesma coisa que gastaria se tivesse comprado um apartamento na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Mas vou ter uma casa, com o dobro do tamanho e até com alguns luxos, como uma piscina. Não teria a mesma coisa em Belo Horizonte jamais”, afirma. O trânsito, porém, é um ponto lembrado pelos que optam por sair da capital, mas é minimizado. “Prefiro o trânsito do trevo do BH Shopping do que o trânsito do centro”, diz Marco Túlio. Lanna explica que os empreendimentos tentam diminuir essas dificuldades. “No Alphaville, os proprietários têm comodidades como ônibus executivo que vai até a capital, e um ambulatório 24 horas com ambulância. Tudo embutido no condomínio, que não é caro, em torno de R$ 500 a R$ 700”, diz. Enquanto o Executivo da capital sinaliza, com suas propostas de alteração no plano piloto, que construir na cidade vai ficar cada vez mais difícil, os municípios do entorno tem regras mais flexíveis, mesmo se preocupando com a capacidade de receber esses empreendimentos. “Investimos em infraestrutura, saneamento básico e em mobilidade urbana, mesmo não estando no mesmo nível de problemas que a capital”, assegura o secretário de Meio Ambiente e de Planejamento interino de Nova Lima, Roberto Messias.

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