EUA teriam usado droga secreta em norte-americanos com ebola

Medicamento nunca testado em humanos foi oferecido para médico e missionária doentes, diz CNN

iG Minas Gerais |

A missionária Nancy Writebol e o médico Kent Brantly, que está ao lado de sua mulher, Amber
Samaritan's Purse/AP E Courtesy Jeremy Writebol/AP
A missionária Nancy Writebol e o médico Kent Brantly, que está ao lado de sua mulher, Amber

NOVA YORK, EUA. Três frascos de uma droga experimental secreta, armazenados em temperaturas abaixo de zero, foram levados à Libéria na semana passada em um último esforço para salvar dois norte-americanos que tinham contraído ebola, de acordo com uma fonte familiarizada com os detalhes do tratamento que deu as informações à rede de TV norte-americana CNN.  

Kent Brantly e Nancy Writebol foram expostos ao vírus no fim de julho, e apresentaram sintomas de febre, vômito e diarreia. Horas depois da aplicação do medicamento secreto, porém, ambos teriam apresentado melhoras significativas.

Acredita-se que os dois norte-americanos, da organização Samaritan’s Purse, contraíram ebola de um terceiro profissional de saúde no hospital da Libéria. Ao saber da infecção, um representante do Instituto Nacional de Saúde teria entrado em contato com o Samaritan’s Purse na Libéria e oferecido o tratamento experimental, conhecido como “ZMapp”, para os dois pacientes, segundo a CNN.

A droga foi desenvolvida pela empresa de biotecnologia Mapp Biopharmaceutical. Os pacientes foram informados que se tratava de um tratamento nunca tentado antes em humanos, mas testado com sucesso em macacos (quatro animais infectados com ebola sobreviveram ao vírus após receber o medicamento).

Uma hora depois do uso do remédio, a condição de Brantly estava quase revertida, e os médicos descreveram o quadro como “milagre”. Writebol também recebeu o medicamento. Sua resposta não foi tão sensacional, segundo as fontes, mas depois da segunda dose ela reagiu.

MEDICAMENTO. O medicamento é um anticorpo monoclonal desenvolvido em ratos. Esses roedores foram expostos a fragmentos do vírus ebola, e, em seguida, os anticorpos gerados no sangue dos ratos foram colhidos para criar o medicamento. A droga atua impedindo o vírus de entrar e infectar novas células.

O ZMapp ainda não foi aprovado para uso em humanos nem passou pelo processo de testes clínicos com padrões de segurança e eficácia. Com a recente experiência no médico e na missionária, o medicamento pode cair em “uso compassivo” na regulação do FDA, agência que controla medicamentos e alimentos nos EUA, o que significa que seu uso pode ser permitido ainda na fase de investigação.

SURTO. A Organização Mundial de Saúde (OMS) informou nesta segunda que subiu para 887 o número de mortos pelo surto de ebola na África. Desde o início do ano, 1.603 pessoas contraíram o vírus que provoca a doença. Segundo a entidade, o maior número de mortes ocorreu na Guiné, com 358, seguido por Serra Leoa (273) e Libéria (255). Na Nigéria, foi registrada uma morte, um caso confirmado e três suspeitos.

Em um encontro inédito com líderes africanos, o governo do presidente norte-americano, Barack Obama, mostrou nesta segunda-feira seu desejo de fortalecer as relações com a África. Ainda no encontro, o Banco Mundial prometeu enviar US$ 220 milhões para ajudar os três países mais afetados a controlarem as infecções.

Suspeita em NY

Ebola. O médico do hospital Mt. Sinai, em Nova York, Jeremy Boal, declarou nesta segunda que o paciente que esteve na África Ocidental e que está internado provavelmente não tem ebola.

Brasil Suspeita. A suspeita de infecção por ebola em uma mulher em Goiânia foi descartada pelo Ministério da Saúde. A paciente viajou a Moçambique e está com malária. Portos e aeroportos. O Ministério da Saúde diz ser muito pouco provável que alguma pessoa doente chegue ao país. Apesar disso, recomendou maior rigor em aeroportos e portos na identificação de doentes. Ajuda. O Brasil pode enviar equipes de saúde para regiões afetadas pela epidemia de ebola, caso o auxílio seja requisitado, disse o ministério.

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