Professores viram cantineiros

Reportagem visitou cidade 13 dias depois que funcionários sem concurso tiveram que ser demitidos

iG Minas Gerais | Cinthia Ramalho |

Suspensas. Após demissão, escola Ordália Ferreira Campos precisou fechar as portas por 13 dias
Alex de Jesus
Suspensas. Após demissão, escola Ordália Ferreira Campos precisou fechar as portas por 13 dias

Na manhã desta segunda, professores da Escola Municipal Professora Elza Soares, localizada no bairro General Carneiro, em Sabará, na região metropolitana de Belo Horizonte, se viravam como podiam para que os cerca de 600 alunos não ficassem sem aula. Desde o dia 22 de julho, a instituição funciona com escala reduzida, já que aproximadamente 20 funcionários – entre professores, cantineiras, faxineiras e auxiliares de secretaria – que não eram concursados foram demitidos.

A reportagem esteve nesta segunda na escola e conversou com a diretora Edilane Conceição Silva, 48. Por causa da redução no quadro de funcionários, ela teve que dar aulas. Alguns professores, inclusive, estão trabalhando na cantina para que os alunos não fiquem sem merenda. Edilane afirma que os alunos estão sendo prejudicados, já que, por falta de professores, algumas turmas foram unidas e as salas de aulas estão cheias. “As turmas estão lotadas, e os alunos reclamam que não estão conseguindo prestar atenção. Todo o sistema da escola é informatizado, mas não temos funcionários para atualizá-lo”, ressaltou. Situação parecida também acontece na cidade de Esmeraldas, na região metropolitana, onde duas escolas municipais estão fechadas e outras 30 operam com horários reduzidos. De acordo com a prefeitura, mil alunos estão sem aula e cerca de 3.000 estudantes foram prejudicados. As demissões vieram por determinação da Justiça, após um pedido do Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG). As duas cidades não cumpriram os Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) assinados pelas administrações em 2010 (sabará) e em 2009 (esmeraldas). Os documentos previam a regularização da situação de funcionários contratados irregularmente. De acordo com as atuais administrações, as situações das duas cidades devem ser solucionadas em aproximadamente 30 dias. Revolta. Na Escola Municipal Ordália Ferreira Campos, no bairro Lavapes, em Sabará, o quadro é ainda mais crítico. No dia 22 de julho, as aulas foram suspensas e só foram retomadas nesta segunda, com a chegada dos novos professores. Marco Antônio Rios, 44, é pai de um aluno do sétimo ano da unidade e ficou revoltado pelo tempo em que o filho ficou em casa. “Ninguém nos chamou para conversar e explicar o que estava acontecendo. De um dia para o outro, simplesmente não teve aula”, afirmou. Em Esmeraldas, a área da saúde também foi prejudicada com as demissões. De acordo com o prefeito Glacialdo de Souza Ferreira, 240 funcionários foram demitidos. “Nas regiões com mais de um posto, estamos tentando centralizar os serviços em apenas uma unidade e mandar os funcionários para o hospital”.

Contratação Saúde. A Prefeitura de Sabará informou que os postos de saúde não foram prejudicados com as demissões, já que foi feito um processo seletivo em caráter de urgência, que é previsto em lei.

Respostas Concurso. Segundo a Prefeitura de Esmeraldas, os profissionais que passaram no concurso realizado no mês de abril deste ano começaram a ser chamados para assumir os cargos no mês de junho. Cerca de 400 vagas já foram preenchidas em cargos municipais em vários setores. A cidade deve realizar um novo concurso público, porém, a data ainda não foi definida pela administração. TAC. De acordo com o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG), o órgão trabalha mediante denúncias e, por isso, não dispõe de um sistema que identifique todas as cidades do Estado que estão trabalhando de forma irregular ou que assinaram os Termos de Ajuste de Conduta (TAC) com o objetivo de regularizar a contratação de pessoal.

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