Continuidade na literatura

Os premiados Jacques Fux e Luisa Geisler participam do Ofício da Palavra, hoje à noite, no Museu de Artes e Ofícios

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |



A gaúcha Luisa Geisler vai lançar seu segundo romance no encontro
Ed. Record
A gaúcha Luisa Geisler vai lançar seu segundo romance no encontro

Jacques Fux e Luisa Geisler, dois novos expoentes da literatura brasileira, miram outros passos na escrita e são os convidados de hoje do projeto Ofício da Palavra, no Museu de Artes e Ofícios. A gaúcha, por exemplo, chega com o segundo romance, “Luzes de Emergência se Acenderão Automaticamente” (editora Alfaguara), a ser autografado após o bate-papo. Já o mineiro tem dois livros finalizados e previstos para sair provavelmente no início de 2015 pela editora Rocco.

Ambos vão comentar no encontro as trajetórias de cada um que têm em comum o fato de serem recentes, mas lastreadas por prêmios nacionais, como o São Paulo de Literatura, em 2013, no caso de Fux, e o Sesc de Literatura, em 2011 e 2012, arrebatados por Geisler com “Contos de Mentira” e “Quiça”, respectivamente. Num cenário em que cada vez mais novos autores surgem no país, resultados como esses mudam a vida de quem está começando.

“De repente o meu livro ‘Antiterapias’ parecia outro. Ele passou a ser mais lido, divulgado e resenhado, de maneira que até então não tinha acontecido, porque o início foi muito difícil”, conta Jacques Fux. Publicado em 2012, a ficção, que mescla dados históricos, referências literárias e dados biográficos, saiu com 500 exemplares pela editora Scriptum. Inscrita naquele concurso, a obra se sagrou vencedora na categoria autor estreante, enquanto Fux participava de um programa da universidade de Harvard nos Estados Unidos.

“Eu voltei para o Brasil para a entrega do prêmio que mudou tudo. As pessoas começaram a se perguntar quem é esse Jacques Fux e o livro ganhou uma repercussão muito boa. Esse era o meu objetivo: escrever algo que as pessoas pudessem ter a chance de dizer se gostam ou não do que fiz”, afirma Fux.

Com Geisler a situação foi semelhante. Ela acrescenta que além de ganhar mais visibilidade, ser agraciada nos concursos, aos poucos, fez cair a ficha do que estava buscando para si. A compreensão do seu trabalho como escritora, ao seu ver, se concretiza agora com o segundo romance, em circulação pela Alfaguara.

“Desde quando participei de uma oficina de criação literária, antes de publicar os meus livros, eu desenvolvi uma relação com a literatura que envolve principalmente o leitor. Eu não escrevo apenas para aliviar os meus sentimentos. Cada vez mais isso é claro pra mim, e é recente ter ficado mais consciente desse meu papel”, conta ela.

Essa percepção, pontua ela, foi aprofundada durante o processo de criação de “Luzes de Emergência se Acenderão Automaticamente”. De acordo com Geisler, foi a primeira vez que sua escrita veio acompanhada do olhar de um editor e de questionamentos sobre os diferentes momentos apresentados na narrativa.

“Os meus outros livros, após serem premiados, passavam por uma revisão, mas eram publicados quase como eu os havia inscrito. Com o novo, foi diferente. Houve a participação de um editor que me ajudou a analisar aspectos do trabalho, o que eu nunca tinha feito antes. Desta vez, portanto, foi algo elaborado mais em conjunto, a jornada foi menos solitário do que os dois primeiros”, compara Geisler.

Como em “Quiçá”, a gaúcha diz que o próximo romance traz personagens que por pouco não parecem encaixados na realidade que desejam para si. “É como se eles fossem uma peça de uma quebra-cabeça colocada numa caixa errada. Tudo faz sentido, mas algo impede o encaixe perfeito”, resume.

Jacques Fux também observa que tanto a obra infantil já concluída e a segunda ficção adulta reverberam traços de “Antiterapias”. “No infantil eu retomo o diálogo com a literatura, trazendo a voz de outros autores. Já no romance eu trato novamente dessa ambiguidade entre realidade e ficção”, revela.

Agenda

O quê. Ofício da Palavra com Jacques Fux e Luisa Geisler

Quando. Hoje, às 19h30

Onde. Museu de Artes e Ofícios (praça da Estação)

Quanto. Entrada franca

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