A todos os pais, com carinho

AM Galeria constrói exposição em torno da narrativa de uma carta enviada por um filho a seu pai em ‘Carta Paisagem’

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Cotidiano. O venezuelano Carlos Cruz-Diez explora a rotina e o passar do tempo em serigrafias cinéticas dedicadas aos dias da semana
Carlos Cruz-Diez
Cotidiano. O venezuelano Carlos Cruz-Diez explora a rotina e o passar do tempo em serigrafias cinéticas dedicadas aos dias da semana

Quando decidiu fazer uma exposição voltada para o mês dos pais, Emmanuelle Grossi, curadora da AM Galeria, conversou com alguns amigos e familiares sobre a relação que eles tinham com seus pais. “Cada um é uma experiência íntima e individual, mas notei alguns pontos em comum que convergiam quando se falava das memórias paternas”, ela conta.

A partir disso, ela foi escolhendo obras que construíssem uma narrativa em torno de uma carta. “É um filho, já adulto, escrevendo ao pai sobre a infância, as coisas que aprendeu, algumas memórias”, explica a curadora.

O resultado é a exposição “Carta Paisagem”, aberta ao público na AM Galeria. O nome vem de uma das obras selecionadas, da artista mineira Sylvia Amélia. O trabalho reúne uma série de papeis de parede com recortes de palavras que falam do dia a dia, da personalidade e da vida das pessoas. “Esses papeis acabam contendo as histórias vividas entre suas paredes. A obra seria a carta mesmo, com as palavras ali meio soltas, mas vividas”, descreve Grossi.

As outras obras expostas abordam questões mais pontuais da relação entre pai e filho. A escultura interativa “Be my Guest”, de Livia Paola Gorresio, com suas varetas gigantes de madeira, remete às brincadeiras da infância. Já as serigrafias cinéticas do venezuelano Carlos Cruz-Diez são sete obras, “uma para cada dia da semana, falando da rotina e da convivência que se repete”.

Nelson Leirner faz seu trabalho a partir de uma série de artigos esportivos, ressaltando a relação do homem com o esporte, e como isso se reflete no laço entre pais e crianças. Além de infância e esporte, outro elemento comum das memórias abordado na exposição são as viagens, como nas pequenas esculturas de navios, palmeiras e casas em mármore e limestone, de Dan Fialdini. “São as viagens fantásticas, a construção do imaginário das crianças a partir das histórias contadas pelos pais”, explica a curadora.

Lygia Pape parte de seu nome escrito em mandarim para refletir sobre o nome e a personalidade herdados do pai. “O público não sabe que é o nome dela, o que reforça essa ideia de que o nome representa um aprendizado que só a gente sabe que carrega”, elabora.

A fotografia do Real Gabinete Português de Leitura, feita pelo mineiro Franco Bubani, representa o amor aos livros e às palavras, de tantas histórias contadas e aprendidas. Dialogando com esse imaginário do indivíduo de histórias vividas e ouvidas do pai, está a série de pinturas de Ricardo Homem, que apresenta paisagens e abstrações da terra e da natureza.

“Carta Paisagem” ainda traz obras de Judith Lauan e Valentino Fialdini. “A narrativa é construída a partir da interpretação dessas obras, algumas mais subjetivas, outras mais diretas”, conta Grossi. E ela se completa na proposta da galeria de que, ao final da exposição, o visitante escreva sua própria carta para o pai.

Para isso, a mostra oferece um balcão com cadeira, papel, caneta e envelopes selados. A carta poderá ser levada com o visitante, enviada ao término da exposição, ou até mesmo guardada no arquivo da galeria.

“Carta Paisagem” é a segunda ação do projeto Boletim ou Shortcuts. Idealizado pela galeria, ele pretende realizar uma série de ações esporádicas ao longo de 2014, tanto na AM Galeria quanto em outros locais da capital, incluindo a exibição de curtas, mostras de pequena duração e exibição de filmes – com um boletim virtual e impresso sendo produzido ao final do ano com o resultado das ações.

Agenda

O que. “Carta Paisagem”

Quando. De segunda a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 13h30, até 25/8

Onde. AM Galeria de Arte – rua Cláudio Manoel 155, Loja 04, Funcionários

Quanto. Entrada franca

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