Dificuldades da profissionalização

iG Minas Gerais |

Quando todos imaginavam que o Atlético estava entrando nos trilhos, vencendo a primeira partida depois da Copa, e com ambiente saudável entre jogadores e comissão técnica, Jô resolve desaparecer. Justo ele que está precisando reencontrar as redes adversárias e recuperar o prestígio perdido após o vexame da seleção brasileira no Mundial. Esse tipo de comportamento deveria ser tratado também pela turma do Bom Senso F. Clube, que faz justas reivindicações aos clubes e ao governo, mas não prevê punições a atletas que agem dessa forma. Aliás, o Brasil está desse jeito: várias categorias profissionais só querem saber de direitos, mas deveres nem tanto. Profissionalismo via mão única! Fim da concentração Levir Culpi quer inovar e tenta acabar com a concentração dos jogadores do Atlético na véspera dos jogos em Belo Horizonte. Na primeira experiência, o resultado foi positivo: o Galo venceu o Atlético-PR, por 3 a 1, jogando um ótimo primeiro tempo e um razoável segundo. A ideia de Levir surpreendeu muita gente. Para mim, surpresa é alguém se surpreender com uma situação dessas, em um mundo no qual se pagam salários milionários e o profissionalismo é quase que de mão única: o clube paga os salários, mas muitos jogadores agem como se fossem artistas da noite. Nem aí Nesse aspecto, o jogador de futebol deveria agir e ser tratado da mesma forma que qualquer trabalhador, mas não. O tratam de forma paternalista, como nos tempos românticos do futebol. Como a paixão do torcedor é cega, se um atleta apronta fora de campo, basta um jogo bom ou um belo gol para anistiar o ídolo na ótica de quem assiste das cadeiras e das arquibancadas. Obviedades É um tédio ouvir entrevistas coletivas de treinadores e, principalmente, de jogadores depois de toda rodada de campeonato, seja o Brasileiro ou, pior ainda, um Estadual. Noventa por cento de perguntas óbvias para 90% de respostas ridículas. Quando eu era repórter da TV Bandeirantes Minas, perguntei ao então capitão do Atlético, Paulo Roberto Prestes: – Por que vocês respondem sempre as mesmas coisas para todas as perguntas? Ele não titubeou para responder: – Porque vocês sempre perguntam as mesmas coisas. Engoli, dei razão e passei a prestar mais atenção às perguntas e às respostas de todos. Esse diálogo foi há quase 20 anos, mas quase nada mudou. Raros perguntadores questionam alguma coisa diferente para raras respostas que causam alguma surpresa em algum leitor, ouvinte ou telespectador. Guilherme respondeu obviedades sobre a responsabilidade de substituir Ronaldinho. O futebol jogado por ele foi o mesmo: fraco na apertada vitória sobre o Atlético-PR, por 2 a 1, no Independência. Jogo em que prevaleceram a vontade alvinegra e o fator casa, já que o futebol dos times foi equilibrado. Por pouco O Cruzeiro finalizou bem em 18 ocasiões contra oito do Botafogo no empate de 1 a 1, no Maracanã. O dado mostra a superioridade azul na partida, e que a resistência alvinegra foi na pura raça. O clube carioca paga os “pecados” do falastrão presidente, Maurício Assumpção, que detonou injustamente o antecessor Bebeto de Freitas logo que assumiu e, agora, vê que presidir um clube desses não é para qualquer um. Operação abafa José Maria Marin foi esperto para abafar os 7 a 1 que a seleção brasileira tomou da Alemanha. Quase ninguém fala mais desse vexame de um mês atrás. O sucessor de Felipão era o inimigo número um da Rede Globo, mas fez acordo, pediu bênçãos e desculpas e, desde que assumiu, as únicas entrevistas exclusivas dele, até agora, foram para o “Fantástico”, da Rede Globo, e para a revista “Veja”. Burrice A voz das arquibancadas pensa muito pouco. Boa parte da torcida entoou o coro de “burro, burro” para o técnico Levir Culpi durante o jogo contra o Atlético-PR. Uma injustiça colossal. Tivesse chegado tão logo a diretoria ficou sabendo que Cuca iria para a China, o Atlético não teria dado o vexame que deu no mundial do Marrocos, ano passado e nem estaria indo aos trancos e barrancos neste ano.

 

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