Empresários são denunciados por remessa ilegal de milhões de dólares

Segundo o Ministério Público Federal em Belo Horizonte, seis denunciados utilizavam inclusive contas em paraísos fiscais para transferir dinheiro ao exterior à margem do sistema financeiro nacional

iG Minas Gerais | Da redação |

O Ministério Público Federal (MPF) em Belo Horizonte/MG denunciou seis pessoas por remessa ilegal de centenas de milhões de dólares às margens do sistema financeiro nacional e por formação de quadrilha.

De acordo com informação divulgada pelo Ministério Público Federal nesta segunda-feira (4), a atuação da quadrilha foi descoberta incidentalmente às apurações desenvolvidas na Operação Cuervo, destinada a desvendar crimes de tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Durante as investigações, descobriu-se ligações entre um traficante e um empresário, o que acabou dando origem a outro inquérito policial e a outro esforço de investigação, denominado posteriormente de Operação Sangria.

As provas obtidas mediante autorização judicial apontaram que as atividades ilegais realizavam-se através de simples câmbio manual ou por meio de complexas operações de remessas internacionais, inclusive utilizando empresas offshore situadas em paraísos fiscais. Os recursos movimentados superaram a ordem de centenas de milhões de dólares: houve caso, por exemplo, de uma remessa superior a 70 milhões de dólares por uma única cliente. Todas as transações eram feitas à margem dos mecanismos legais. A denúncia relata que empresários de Belo Horizonte/MG e até de outros Estados brasileiros figuravam como “clientes” da organização criminosa liderada por um dos empresários denunciados. O relacionamento se dava, na maioria das vezes, no ambiente virtual: as conversas e tratativas eram feitas através da rede mundial de computadores, por chamadas via Skype ou por mensagens de correio eletrônico. Cada um dos acusados desempenhava papel específico na organização: um deles organizava e coordenava a atuação dos demais e as atividades por eles executadas, outro era o responsável por angariar contas bancárias de “laranjas” para o recebimento, no Brasil, dos valores transacionados no exterior. Outro denunciado, que é gerente de um banco da rede privada, tinha como uma de suas funções justamente a captação de clientes para a organização, ou seja, de pessoas interessadas em realizar remessas internacionais à margem do Sistema Financeiro. Segundo a denúncia, ele também utilizava seus contatos profissionais e sua expertise para colher informações úteis à consecução das transações financeiras. Todos os denunciados foram acusados dos crimes de formação de quadrilha (artigo 288, do Código Penal), operação não autorizada de instituição financeira (artigo 16 da Lei 7.492/86) e operação ilegal de câmbio para promover evasão de divisas (artigo 22, parágrafo único, da Lei 7.492/86). Um dos empresários denunciados ainda responderá pelos crimes de lavagem de dinheiro (artigo 1º, caput, da Lei 9.613/98) e evasão de divisas (artigo 22, parágrafo único, segunda parte, da Lei 7.492/86).

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