Revisão de taxação de grandes fortunas é necessária, diz Aécio

Candidato tucano ainda disse ser a favo das cotas raciais, do fim da reeleição e da redução da maioridade penal em 'casos graves'

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Na última etapa da sabatina no portal G1 nesta segunda-feira (4) quando o candidato deve responder somente com "sim" ou "não" às questões apresentadas, o candidato tucano à Presidência, Aécio Neves, afirmou ser a favor das cotas raciais, do fim da reeleição - com mandatos de cinco anos - e da redução da maioridade penal em "casos gravíssimos". Questionado em relação a um imposto sobre grandes fortunas, o candidato respondeu apenas que "é necessária uma revisão na taxação atual".

Aécio disse ser contra o foro privilegiado e a revisão da lei da anistia e afirmou que o financiamento privado de campanhas políticas deve ser "limitado". Ele se posicionou a favor da unificação das polícias e afirmou que não vai privatizar companhias estatais, mas sim "devolvê-las aos brasileiros".

Ferrovias e hidrovias

Aécio afirmou ainda na sabatina que as ferrovias e hidrovias serão o foco de seu governo no que diz respeito à infraestrutura caso seja eleito. "Isso é fundamental para o escoamento da produção. Essa é a questão central: o custo Brasil, a falta de competitividade", afirmou.

Em relação à política fiscal, Aécio disse que vai "qualificar" gastos e reiterou ser contra desonerações setoriais. Ele afirmou que sua eventual vitória criaria um ambiente de segurança que ajudará na retomada dos investimentos. "O atual governo perdeu a capacidade de gerar confiança, tanto em agentes internos quanto externos", avaliou.

Questionado sobre sua opinião em relação à política de armamento o candidato respondeu que já foi realizado um plebiscito e que a população brasileira já decidiu sobre essa questão.

Ministério da Justiça

O candidato do PSDB à Presidência prometeu também fazer uma modificação na estrutura do Ministério da Justiça, transformando-o em pasta da segurança pública. Sobre o tema, disse ainda que não vai contingenciar recursos como, segundo ele faz o atual governo. "Isso mostra a pouca atenção que o governo vem dando à questão da segurança pública", criticou o tucano.

Outra medida que Aécio prometeu tomar caso eleito é a atualização dos códigos Penal e de Processo Penal. O tucano disse que as discussões são feitas há muito tempo no Congresso Nacional, o que possibilitaria que a atualização fosse "rápida".

Sobre fronteiras, o tucano retomou as críticas ao atual governo federal e afirmou que a presidente Dilma não cumpriu a promessa, feita na última campanha, de colocar em funcionamento 14 veículos aéreos não tripulados (VANT's).

Cargos públicos

Aécio teve de responder à pergunta de um internauta comparando a criação de cargos públicos por concurso nos governos de Fernando Henrique Cardoso e nas administrações do PT. Depois de ponderar que FHC e Lula enfrentaram ambientes diferentes, Aécio afirmou que pretende fazer cortes nos cargos comissionados, não na contratação de funcionários de carreira.

Segundo o tucano existem entre 23 mil e 24 mil cargos "de livre provimento", dos quais ele pretende cortar um terço.

Mensalão mineiro

Aécio disse ainda que não é possível comparar o chamado mensalão mineiro ao mensalão do PT. Questionado sobre o caso envolvendo o então governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998 e que ainda não foi julgado, ele afirmou que os episódios são "distintos". "Não sou juiz, acato a Justiça. Vamos aguardar que a Justiça mineira julgue e que Eduardo Azeredo tenha chance de defesa. Se houver companheiro do partido que tenha cometido irregularidade, não o transformaremos em herói nacional, como fez o PT", afirmou.

Ele voltou a fazer críticas à gestão da presidente Dilma Rousseff e a dizer que existe um "cansaço generalizado" com o atual governo. "Dilma não fracassou só na condução da economia, mas talvez isso seja o mais evidente", afirmou. Segundo Aécio, o atual governo deixará ao sucessor um quadro de estagflação, com crescimento abaixo de 1% e inflação estourando o teto da meta. Ele também citou obras inacabadas e omissão na saúde e na segurança pública. "O conjunto da obra leva à rejeição e ao desejo de mudança", acrescentou.  

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