Vítima de trote violento ganha direito de transferência para a UFMG

Estudante que vivia em Contagem e foi para São José do Rio Preto cursar medicina sofreu humilhações durante uma festa de recepção aos calouros; UFMG ainda não foi notificada da decisão

iG Minas Gerais | Bruna Carmona |

O calouro vítima de trote violento na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), em março, Luiz Fernando Alves, de 22 anos, ganhou na Justiça o direito de se transferir para a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Após ter o recurso negado em primeira instância, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região autorizou a mudança. O aluno abandonou a Famerp após ser humilhado em festa de calouros, em março deste ano.

No processo, o estudante relatou que foi submetido a diversos constrangimentos durante a festa e que, devido ao clima frio, teve uma hipotermia e desmaiou. Ele foi encontrado no dia seguinte, inconsciente e seminu, com vômito e urina sobre o corpo, à beira de uma piscina, em um clube local.

Nos autos, Alves afirmou que começou a receber ameaças de morte por telefone depois que procurou a Famerp para denunciar as agressões. Com medo, ele voltou para Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde morava com a família. Um exame de corpo de delito confirmou a ocorrência dos atos violentos.

O estudante afirmou no processo que pediu transferência para a UFMG por não ter condições psicológicas de retornar à Famerp.

A UFMG foi procurada pela reportagem de O TEMPO e informou que ainda não foi formalmente comunicada pela Justiça sobre a decisão.

Punição

Procurada pela reportagem de O TEMPO, a Famerp informou que foram criadas três comissões internas para levantar detalhes sobre o que aconteceu na chamada “festa de integração. Toda a apuração foi pautada por relatos de alunos do primeiro ano que participaram do evento.

“O que as comissões apuraram foram fatos como banhos de cerveja e coação para comer alho cru. Apesar de ter os fatos apurados, não existem provas evidentes dessas ações. Mesmo assim, a Famerp optou por punir os estudantes que tiveram os nomes citados porque o trote é proibido pela instituição”, informou a instituição, em nota. Ainda segundo o informe, a direção considera que todos esses alunos deveriam sofrer punição por cometer atos que não são tolerados pelo regimento interno da instituição. “Vale ressaltar que a punição aplicada não é branda. O estudante que recebe suspensão de 7 dias pode ser reprovado”, diz a nota.

Ainda segundo a faculdade, a investigação do caso do aluno Luiz Fernando Alves está sob responsabilidade da Polícia Civil.  

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