Realidade em BH, educação integral ainda é alvo de críticas

Novo plano nacional prevê que, em até dez anos, escolas públicas ofertem sete horas de aula por dia

iG Minas Gerais | Johnatan Castro |

Conteúdo. Monitores dão aulas de artes, parte do programa no Polo de Educação Integrada, em BH
Uarlen Valério
Conteúdo. Monitores dão aulas de artes, parte do programa no Polo de Educação Integrada, em BH

Todos os dias, depois de uma manhã de estudos na Escola Municipal Ana Alves Teixeira, no Barreiro, na capital, os irmãos gêmeos Calebe e Vitória Moreira Prado, 8, seguem a pé, com monitores, para mais quatro horas e meia de atividades no Polo de Educação Integrada (Poeint). Eles participam do Programa Escola Integrada, da prefeitura, e dividem o tempo extra entre atividades pedagógicas, como reforço escolar e aulas de idiomas e informática; artísticas, que incluem música e circo; e esportivas, que vão de futebol a skate. Apesar de esse tipo de ensino integral ter ampliação prevista no novo Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado em junho último, o modelo é criticado por educadores, temerosos de que o aumento da carga horária apenas ofereça atividades recreativas, sem melhorar a qualidade de ensino.  

O novo PNE estabelece que, até 2024, metade das escolas públicas deverá garantir o ensino em tempo integral, de forma que 25% dos alunos fiquem sete horas por dia na instituição. Chamado de “integrado”, o formato adotado na capital – com alunos na escola durante nove horas – segue diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Educação (MEC) para o ensino integral. A pasta determina que, além de estender a jornada, as escolas ofereçam, no tempo restante, atividades ligadas a educação ambiental, esporte, lazer, cultura e artes.

Crítica do modelo, a educadora e presidente do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, Guiomar Namo de Mello, explica que os sistemas de educação integral e integrada usados no país são iguais. Ela não apoia as atividades artísticas e esportivas aplicadas pelas instituições.

“Escuto professores de matemática e de ciências, por exemplo, reclamando que não têm tempo de trabalhar os conteúdos. Então o aluno pode ter mais aulas para aquele assunto, o que não é maçante. Quer coisa mais fascinante que ciências e literatura?”, sugere.

Contraponto. Já Alejandra Meraz Velasco, do Movimento Todos pela Educação, pondera que é possível incluir as atividades artísticas e esportivas no currículo, como é feito na capital, e também associar artes e esportes à proposta pedagógica da escola. “Depende do modo como essa articulação é feita”, diz. Ela considera a atual carga horária das escolas brasileiras reduzida. “O ensino médio, por exemplo, precisa de mais tempo para tratar das disciplinas acadêmicas”, afirma.

Vice-diretora do Poeint, Erika Fernanda Cecílio discorda, garante que o projeto na rede municipal traz conhecimento extra ao aluno. “É um saber não escolarizado, mas importante. Não é mais do mesmo”, afirma.

“Criar outras oportunidades para os alunos é fundamental. Ele não fica na escola apenas com brincadeiras. São atividades planejadas, orientadas e acompanhadas”, diz a secretária municipal de Educação de Belo Horizonte, Sueli Baliza.

Crescimento

Matrículas. O Censo Escolar da Educação Básica 2013 revelou que as matrículas em educação integral no ensino fundamental no país subiram 139% desde 2010, superando 3 milhões de alunos.

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