Vôlei do Minas já não é o mesmo

Copa do Mundo no Brasil retirou o foco de muitas empresas em esportes que não fossem o futebol

iG Minas Gerais | Débora Ferreira |

Jejum. Maior campeão brasileiro no vôlei masculino – sete títulos –, o Minas não ganha um nacional desde a temporada 2006/2007
Pedro Vilela/ O Tempo
Jejum. Maior campeão brasileiro no vôlei masculino – sete títulos –, o Minas não ganha um nacional desde a temporada 2006/2007

A campanha brasileira na última Liga Mundial de Vôlei pode não ter sido a melhor, mas o segundo lugar conquistado mantém o país como referência na modalidade. No Brasil, a situação é bem diferente: entre a Copa do Mundo de futebol e custos altos para se bancar um time, patrocinadores dos clubes nacionais adotam uma postura de cautela e deixam até equipes mais tradicionais.  

O exemplo mais recente é o time masculino do Minas Tênis Clube, de Belo Horizonte. Após 16 anos de contrato, títulos em nível nacional e estadual, e equipes competitivas, a atual Telefônica Vivo resolveu encerrar a parceria.

“Já tínhamos uma relação da marca com o clube. É uma contingência do mercado. Eles saíram também do basquete de Franca (SP), então não foi uma situação conosco. Já estamos conversando com outras empresas, e nossa intenção é começar a Superliga com novo patrocinador master”, explica Daniel Fudoli, assessor de negócios de marketing do Minas.

De acordo com especialistas da área, os custos para se manter equipes de ponta alcançam valores de R$ 10 milhões por ano e ainda enfrentam a concorrência de outros esportes.

Para Erich Beting, consultor de marketing e colunista de vôlei, a longa duração do contrato entre o clube e o patrocinador também pode ter enfraquecido a marca.

“Há o fator de um aumento considerável dos custos para manter uma equipe. E, também, a própria relação de longa data da Vivo com o time, que faz com que a marca perca um pouco da força, se tornando uma espécie de ‘paisagem’ na mente do torcedor. Tudo isso, somado a um aumento dos investimentos da própria Vivo no futebol por conta da Copa, ajuda a redirecionar os investimentos na empresa”.

A tese de que a Copa teria interferido nos negócios é reforçada por Fudoli, que viu um ano difícil para o vôlei, mas aposta na evidência dos esportes especializados nos próximos dois anos, já que a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, se aproxima.

“Para os esportes olímpicos foi um momento complicado, porque o futebol ficou em evidência o ano todo. O foco Copa do Mundo passou, então, agora, a gente volta a ficar em cena de uma forma importante, pela tradição que temos”.

Resposta. Em nota, a Vivo disse que retirou o patrocínio porque “há um direcionamento da operadora de levar seus patrocínios a diferentes regiões do país, proporcionando que outras iniciativas se desenvolvam”.

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