Para baixinhos e grandinhos

Projeto traz jornalista Miriam Leitão nesta terça a Belo Horizonte para lançar dois romances infantis e um adulto

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira e vinícius lacerda |

Cotidiano. Miriam Leitão usa relações familiares e a fazenda onde mora como inspiração para suas incursões pelo universo da ficção
Tomas Rangel / Divulgação
Cotidiano. Miriam Leitão usa relações familiares e a fazenda onde mora como inspiração para suas incursões pelo universo da ficção

Com uma das trajetórias mais reconhecidas no jornalismo brasileiro contemporâneo, Miriam Leitão confessa que seu coração pertence a outro ofício. “Escrever livros é o meu sonho mais antigo, mais profundo. O que tive coragem de dizer para o meu professor de português, Celso Caldeira, em Caratinga, quando tinha 11 anos. O jornalismo me realiza, mas sem os livros estaria incompleta”, revela.

Como a profissão nas redações ocupa “o dia todo nos dias úteis”, Leitão usa os fins de semana, feriados e folgas para escrever, em um canto de sua casa longe do escritório, “onde me aconchego e me entrego”. O resultado dessa paixão pode ser conferido nos três livros que a autora vem lançar no Sempre um Papo nesta terça, às 19h30, na sala Juvenal Dias do Palácio das Artes – a primeira vez que ela participa do evento para falar de obras de não-ficção.

Entre as obras, estão “A Perigosa Vida dos Passarinhos Pequenos”, de 2013, e “A Menina de Nome Enfeitado”, de 2014, que marcam a estreia de Miriam na literatura infantil. O primeiro, inspirado no cotidiano da autora em sua fazenda no interior de Minas, acompanha um grupo de passarinhos que se reúnem e decidem chamar a atenção dos donos da propriedade onde vivem para aumentar a área verde da fazenda.

Já “A Menina de Nome Enfeitado” narra a história de uma tia que, numa brincadeira com letras, explica à sobrinha a função da letra “h”. Destinado a ajudar as crianças na fase da alfabetização, o livro busca ser uma introdução ao mágico mundo da leitura.

Além de se inspirar na relação da escritora com seus netos, a obra também se passa num sítio, assim como “A Perigosa Vida...”. A locação remete ao atual refúgio de Miriam, onde ela passa a maior parte do tempo com o marido Sérgio Abranches e a família.

Não por acaso, o terceiro livro que ela divulga na noite desta terça, o romance adulto “Tempos Extremos”, também utiliza o mesmo cenário. “Uma vez num debate, alguém me perguntou se eu escrevesse um romance, em que local seria ambientado. Eu disse: Minas, uai! E agora ele está nas livrarias e eu estou ansiosa para que os meus conterrâneos o leiam e torcendo para que gostem”, conta a autora.

“Tempos Extremos”, primeira ficção adulta de Miriam, acompanha uma família dividida por conflitos afetivos e políticos em uma fazenda sitiada por causa das chuvas. Apesar da cronologia complexa, que se alterna entre os séculos XIX. XX e XXI para falar da escravidão e da ditadura no Brasil, a escritora faz uso de uma prosa simples e direta, que remete aos seus anos de experiência no jornalismo.

“Eu gosto da linguagem clara e poética. Não gosto de palavras que afastem o leitor ou uma estrutura que confunda”, explica. Mas a proximidade da linguagem com sua profissão diária não deve fazer o leitor misturar as bolas: Miriam reitera que “Tempos Extremos” é ficção, não jornalismo, e usa elementos essencialmente literários para construir sua narrativa.

“Uso o ritmo e a linguagem de ficção ao abordar a ditadura e a escravidão, para que não seja um livro triste, mas sim uma densa história brasileira”, argumenta. E o vírus da escrita literária não deve deixar tão cedo a escritora, que já tem outro projeto infantil na editora Rocco e lança uma nova obra de nao-ficção no ano que vem. “Chama-se ‘História do Futuro’ e é sobre essa grande paixão da minha vida chamada Brasil. Vou entrar em outras áreas além da economia”, promete.

Programe-se

Sempre um Papo - Miriam Leitão

Quando. Nesta terça, 19h30

Onde. Sala Juvenal Dias, Palácio das Artes – avenida Afonso Pena, 1.537, centro

Livros. “A Perigosa Vida dos Passarinhos Pequenos”

(52 pág., R$ 34,50)

“A Menina de Nome Enfeitado”

(32 pág., R$ 29,50)

“Tempos Extremos”

(272 pág., R$ 24,90)

Quanto. Entrada franca

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