Festival estimula o reencontro com o legado de artistas

Eu, especialmente, considero a ‘Sonata para Piano e Violoncelo’, criada por ele, como uma das obras mais bonitas escritas para esta formação”, diz Carvalho

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

A cantora brasileira Eliane Coelho é um dos destaques do evento
terry/divulgação
A cantora brasileira Eliane Coelho é um dos destaques do evento

Convidado para abrir o Viva Os Mestres, evento que celebra a obra de Villa-Lobos, Chopin e Strauss, a partir desta quinta-feira, no Teatro Bradesco, Turíbio Santos, além de ser exímio intérprete das peças do primeiro homenageado, conhece de perto traços da personalidade do compositor brasileiro, acrescentando detalhes que miram vida e obra. Uma curiosidade apontada por ele, por exemplo, era a maneira como Villa-Lobos se relacionava com o violão.

“O instrumento para ele era algo tão importante que Villa–Lobos o entendia como uma espécie de caderno de notas. Quando ele era jovem e viajou o Brasil todo, levava debaixo do braço um violão que era seu companheiro inseparável. Se ele queria compor música de câmara, frequentemente usava o violoncelo. Mas para fazer experiências com suas composições e reconhecer alguns temas, ele sacava o violão, que era o rei da festa”, conta Turíbio Santos. O depoimento do músico ilustra outro braço do evento que é aproximar o público desses nomes que construíram um imenso e precioso legado na música erudita. Esse objetivo, se reflete, por exemplo, em ações, como a exibição de um vídeo sobre a trajetória de Villa-Lobos, Chopin e Strauss, antes dos recitais. A idealizadora do projeto, Carminha Guerra, acrescenta que nos dias 8 e 9, o professor de música Guilherme Nascimento também vai realizar uma pequena palestra, respectivamente, sobre Chopin e Strauss, servindo como uma preparação para os concertos. “Isso ajuda o público a conhecer a figura humana desses compositores. Onde eles nasceram, quem foi sua família, as amantes, a sua cidade natal, são todos esses elementos que contribuem para criar um cenário mais rico em torno de cada um deles”, afirma Carminha. De acordo com ela, Nascimento deverá dar atenção especial a questões mais biográficas e menos técnicas. “Ele tem um poder de comunicação fantástico, conseguindo tornar a música um assunto bastante leve. O público pode esperar, assim, algo bastante prazeroso. Ele certamente vai fugir dos aspectos mais teóricos e vai dar atenção à personalidade de cada compositor, o contexto histórico e a maneira como eles compunham, por exemplo”, resume. Íntimo das criações de Chopin, desde os 14 anos, o pianista Luiz Gustavo Carvalho, que também se apresenta aqui, deixa sua contribuição, lembrando que além de grande compositor, o polaco destacou-se como um importante professor e pedagogo. “Nós temos acesso, através de relatos dos seus alunos, à maneira como ele imaginava e executava as suas interpretações. Eu, especialmente, considero a ‘Sonata para Piano e Violoncelo’, criada por ele, como uma das obras mais bonitas escritas para esta formação”, diz Carvalho que aponta a influência de Chopin sobre Debussy e Shostakovitch.

Programe-se

7/8 - Homenageiam Villa-Lobos: Turíbio Santos, Fernando Araújo, Celso Faria, Gilvan de Oliveira, Mauro Rodrigues. 8/8 - Homenageiam Chopin: Giulio Draghi e Luiz Fernando Carvalho. 9/8 - Homenageiam Strauss: Quarteto com a violoncelista russa Svetlana Tovstukha, Eliane Coelho e Luiz Fernando Carvalho. Teatro Bradesco (rua da Bahia, 2.244 sempre às 20h30. Ingressos: R$ 20 (meia) a R$ 40 (inteira)

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