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Festival Viva os Mestres celebra a obra de Villa-Lobos, Chopin e Strauss, a partir de quinta-feira no Teatro Bradesco

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Abertura. O aclamado violonista Turíbio Santos inaugura o primeiro dia do festival, interpretando obras de Villa–lobos
Acervo pessoal
Abertura. O aclamado violonista Turíbio Santos inaugura o primeiro dia do festival, interpretando obras de Villa–lobos

Villa-Lobos, Frédéric Chopin e Richard Strauss se firmaram na história da música universal e fazem parte de uma constelação de compositores que, aos olhos de Carminha Guerra, idealizadora do Festival Viva os Mestres, a ser realizado nesta quinta-feira, compõem uma espécie de sofisticada rede de fontes e influências.  

“Eu acredito numa trama atemporal que se desdobra durante épocas até o presente. Assim como Chopin foi um artista extremamente importante para o século XIX, e também Strauss, Villa-Lobos cumpre esse papel no século XX, como uma referência fundamental para outros músicos que tiveram contato com sua obra”, observa Carminha Guerra.

É partir desse olhar que ela justifica a realização do evento que homenageará, no Teatro Bradesco, os 55 e 165 anos de morte de Villa-Lobos e Chopin, respectivamente, e os 150 anos de nascimento de Richard Strauss.

A programação centrada em três dias, traz a Belo Horizont, nomes de peso, como o violonista Turíbio Santos, que inaugura a programação, interpretando os cinco prelúdios de Villa-Lobos para violão, entre outros estudos. Conhecedor de longa data da obra do compositor brasileiro, Santos foi quem primeiro gravou, ainda na década de 1960, o repertório a ser apresentado por ele aqui. Na época, ele disse ter sido convidado por Arminda Villa-Lobos, que foi mulher do criador das peças.

“Eu tinha 19 anos e Arminda me chamou para gravar a série de 12 estudos para violão, o que foi uma das primeiras ações promovidas pelo museu Villa-Lobos, fundado em 1960. O disco foi lançado três anos depois e a partir daquele momento eu comecei a participar de diversos festivais”, recorda Turíbio Santos.

Foi, portanto, por meio da interpretação das criações de Villa-lobos que as portas para o cenário internacional lhe foram abertas.

“Em 1965, eu ganhei um concurso em Paris e lá vivi durante duas décadas, sempre vindo ao Brasil durante as férias. Eu novamente recebi um convite para gravar um CD, que queriam que fosse centrado em músicas espanholas. Eu insisti na ideia de tocar as obras de Villa-Lobos, especialmente porque não havia discos desse tipo na Europa, o que deu muito certo. O álbum vendeu bastante, foi um sucesso”, diz Santos, que além de ter um momento solo, vai receber também, no palco do teatro Bradesco, Fernando Araújo, Celso Faria e Gilvan de Oliveira e Mauro Rodrigues.

Após a celebração dedicada a Villa-Lobos, no segundo dia do Viva os Mestres, o foco será Chopin. Despede-se da cena o violão e ganha destaque o piano comandado por Giulio Draghi e Luiz Gustavo de Carvalho. De acordo com a curadora, ao procurar Draghi para averiguar a possível participação dele no evento, o pianista relatou que estava debruçado sobre os 24 estudos de Chopin e se dispôs a interpretar todos na ocasião.

“Eu perguntei a ele se não achava demais fazer tudo isso. Draghi disse que não. Para ele, a proposta era algo para se ter orgulho e ao mesmo tempo se viu desafiado a tocar todas essas peças num único recital. Por isso, essa é um oportunidade bastante rara”, ressalta Carminha.

No segundo momento, quem vai dar continuidade ao concerto é Carvalho. Recentemente em viagem pela Europa, ele mostra suas afinidades com as “polonaises” e “mazurkas” do segundo homenageado.

“Eu toco, por exemplo, ‘Polonaise-Fantaisie’. Por meio dessa, Chopin abre as portas para universos distantes de tudo o que até então havia escrito. Muitas passagens já anunciam musicalmente o final do século XIX e início do século XX”, pontua Luiz Gustavo de Carvalho.

No sábado, ele volta interpretando Strauss, como uma das atrações do encerramento, que acolhe ainda um quarteto com a violoncelista russa Svetlana Tovstukha e a cantora brasileira Eliane Coelho. “Se nós vamos abrir o festival com chave de ouro, o terceiro dia será concluído com a chave para o céu. Eliane Coelho é uma das nossas maiores estrelas. Ela está no Brasil e vai apresentar o repertório belíssimo de canções de Strauss”, frisa Carminha.

Saiba mais

Na quinta-feira dedicada a Villa-Lobos, Gilvan de Oliveira vai interpretar “O Trenzinho do Caipira”, do compositor brasileiro, e, em seguida, a criação autoral, “Ciranda do Trem”. O flautista Mauro Rodrigues depois se junta a ele para tocar “Bachianas nº5”.

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